As mulheres reclamam das consequências tóxicas da revolução que fizeram. Dizem que a igualdade política, econômica e social com os homens as tem forçado a uma vida de super-heroínas, a um extenuante desdobrar-se entre as funções de proletária (ou executiva), mãe, rainha do lar e objeto de desejo para atender expectativas inalcançáveis. Mas e os homens? Quem se preocupa com o mal estar deles? Não é nem um pouco mais fácil a vida dos varões nestes tempos de "Sex And The City" mas, aparentemente, o drama masculino não dá Ibope.
As mulheres de Atenas venceram a guerra de trincheiras contra os homens de Esparta. Ganharam os direito de votar, acasalar livremente e dividir conosco as baias dos escritórios. A despeito das resistências machistas, se mostraram mais competentes em todos estes papéis. E falo com a experiência de quem teve "chefas" em três empregos nos últimos quatro anos.
E o mal estar não termina aí. Em um mundo onde cientistas já são capazes de criar espermatozóides a partir de células-tronco da medula óssea feminina, o homem parece caminhar para a extinção. Nossa falta de pespectivas, aliada às exigências femininas crescentes gera problemas mais imediatos, que conduzem a uma necessidade de reiventar-se e fazer a matrícula na academia. Para ser um macho alfa, o homem pós-moderno, sem a banca de provedor, tem literalmente que rebolar. Saber dançar no salão é uma exigência, mas há outras: vestir-se bem, cozinhar como o Olivier Anquier e ceder o controle remoto no horário do programa da GNT.
É dura a vida do estivador. A nós, bravos guerreiros, sobraram cada vez menos alternativas. Alguns já assinaram a rendição incondicional e viraram emos.
Por mais que eu aplauda as mulheres, não posso deixar de prestar solidariedade aos homens. Como forma de protesto, mantenho a minha militância pró-barriga de chope. A minha própria segue proeminente e renitente... até minha chefe ou minha namorada mandarem eu dar cabo dela.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Risco de vida
Há quem tenha medo de escuro e há quem tenha medo da luz. E também há quem tenha medo de ambos. Como assim? Explico-me. A vida é mais ou menos como aquele jogo "Age of Empires", em que a medida que o jogador se movimenta por um mapa escuro, os caminhos percorridos vão se tornando claros. Mas, fora do videogame, o medo mantém muita gente fora do jogo, em "pause".
Viver é trilhar uma jornada que não se sabe aonde vai dar. Uma experiência que pode ser interrompida a qualquer instante e sobre a qual o nosso controle é limitado. Um caminho sem mapa, com duas dimensões - exterior e interior - repletas de luz e sombra. Um processo incerto como singrar por mares nunca dantes navegados.
Tatear pelo escuro nem sempre é a coisa mais prazerosa do mundo. Explorar o mundo e os subterrâneos da alma pode fazer a pessoa sentir-se como Robinson Crusoé. Encontrar luz pode gerar uma sensação de agressão à retina. É o risco de vida, voltaremos ao assunto mais adiante.
Maquiavel dizia que metade do destino de um soberano depende da virtú, ou seja, de suas próprias habilidades, e a outra metade é decidida pela fortuna, o fator imponderável que você pode chamar de sorte, destino, acaso, deus ou mercado. O mesmo vale para todos nós, soberanos de nós mesmos.
Planos são importantes, mas eficazes num campo limitado. Fora desta zona de conforto, há uma imensa margem de "erro" e às vezes, em vez de exclui-la do cálculo como uma variável irrelevante, o melhor a fazer é contar com ela, ter fé.
Aqui cabe uma observação. Fé não é ausência de razão, muito pelo contrário. A fé só é sólida quando baseada em autoconhecimento. A pessoa que se conhece, sabe qual é a sua jornada no mundo e tem noção do que é capaz de aguentar pode lançar-se no desconhecido com certa tranquilidade de que não ficará desamparado. Corre um risco calculado.
Mas precisamente ai está o grande problema: conhecer-se.
Cagar regra é fácil, o difícil é reiventar-se, mudar para ser fiel à própria essência, contrariar expectativas dos outros, libertar-se de bloqueios sedimentados. As sombras dentro e fora de nós assustam. A luz nos atrai para fora da caverna - citando o mito de Platão - mas ao mesmo tempo nos parece nefasta na medida em que aparentemente nos separa de forma indelével dos colegas de trevas. Estes possivelmente reagirão com olhares cheios de estupefação e censura.
Diante de um processo que se choca com resistências internas e externas, nem todos têm coragem - ou apoio - para fazer a travessia. Por isto permanecem estagnados num estágio psíquico subdesenvolvido, buscando se dissolver na massa.
Para estes existem a televisão e as micaretas.
Viver é trilhar uma jornada que não se sabe aonde vai dar. Uma experiência que pode ser interrompida a qualquer instante e sobre a qual o nosso controle é limitado. Um caminho sem mapa, com duas dimensões - exterior e interior - repletas de luz e sombra. Um processo incerto como singrar por mares nunca dantes navegados.
Tatear pelo escuro nem sempre é a coisa mais prazerosa do mundo. Explorar o mundo e os subterrâneos da alma pode fazer a pessoa sentir-se como Robinson Crusoé. Encontrar luz pode gerar uma sensação de agressão à retina. É o risco de vida, voltaremos ao assunto mais adiante.
Maquiavel dizia que metade do destino de um soberano depende da virtú, ou seja, de suas próprias habilidades, e a outra metade é decidida pela fortuna, o fator imponderável que você pode chamar de sorte, destino, acaso, deus ou mercado. O mesmo vale para todos nós, soberanos de nós mesmos.
Planos são importantes, mas eficazes num campo limitado. Fora desta zona de conforto, há uma imensa margem de "erro" e às vezes, em vez de exclui-la do cálculo como uma variável irrelevante, o melhor a fazer é contar com ela, ter fé.
Aqui cabe uma observação. Fé não é ausência de razão, muito pelo contrário. A fé só é sólida quando baseada em autoconhecimento. A pessoa que se conhece, sabe qual é a sua jornada no mundo e tem noção do que é capaz de aguentar pode lançar-se no desconhecido com certa tranquilidade de que não ficará desamparado. Corre um risco calculado.
Mas precisamente ai está o grande problema: conhecer-se.
Cagar regra é fácil, o difícil é reiventar-se, mudar para ser fiel à própria essência, contrariar expectativas dos outros, libertar-se de bloqueios sedimentados. As sombras dentro e fora de nós assustam. A luz nos atrai para fora da caverna - citando o mito de Platão - mas ao mesmo tempo nos parece nefasta na medida em que aparentemente nos separa de forma indelével dos colegas de trevas. Estes possivelmente reagirão com olhares cheios de estupefação e censura.
Diante de um processo que se choca com resistências internas e externas, nem todos têm coragem - ou apoio - para fazer a travessia. Por isto permanecem estagnados num estágio psíquico subdesenvolvido, buscando se dissolver na massa.
Para estes existem a televisão e as micaretas.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Retrospectiva 2009
É preciso crescer para se tornar quem se é. É preciso mudar para crescer. É preciso se conhecer para mudar. É preciso experimentar para se conhecer. É preciso libertar-se para experimentar.
Assinar:
Postagens (Atom)