ESCOTILHA
Dia de encontrar velhos amigos
com novas ideias e dilemas
-o meu tempo sempre insuficiente para participá-los
Entre o barro original e o calvário,
a urgência do homem na guerra
Estou mais velho, não me entrego
Deslizo nas mucosas da cidade
nessa peneira do passado que é o presente.
Meu corpo político também se assenta
entre a consciência química e o ser domesticado
Amanhã será novamente
dia de fazer as malas.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
domingo, 26 de novembro de 2017
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Estrago
Quando ela desceu no elevador
fumei a guimba do cigarro
que ela deixou no meio
até perceber o gosto de cigarro
da boca dela
deixado pra mim
guardado no cinzeiro
entre os livros
e a avenca
da prateleira
fumei a guimba do cigarro
que ela deixou no meio
até perceber o gosto de cigarro
da boca dela
deixado pra mim
guardado no cinzeiro
entre os livros
e a avenca
da prateleira
segunda-feira, 10 de julho de 2017
O sonho da torre
Cuidado onde pisa!
Uma torre ruiu
sob o peso da alma.
No chão se espalharam
seus cheiros e rituais;
os cacos podem cortar
seu pé.
Então não vá se perder
em pensamentos.
É bom ter uma cama,
uma espinha de peixe.
Tenha calma, irmão.
Foi só um amor que morreu
e o novo não precisa parecer com nada
Uma torre ruiu
sob o peso da alma.
No chão se espalharam
seus cheiros e rituais;
os cacos podem cortar
seu pé.
Então não vá se perder
em pensamentos.
É bom ter uma cama,
uma espinha de peixe.
Tenha calma, irmão.
Foi só um amor que morreu
e o novo não precisa parecer com nada
domingo, 9 de julho de 2017
Textura
Café,
açúcar mascavo,
mel. O dia
se desfia
fluido. Uma mulher
sorri
onde o tempo
encontra a paz
açúcar mascavo,
mel. O dia
se desfia
fluido. Uma mulher
sorri
onde o tempo
encontra a paz
quarta-feira, 17 de maio de 2017
"A cada mil lágrimas sai um milagre"
Milágrimas
Itamar Assumpção
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente o seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas
Sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
Itamar Assumpção
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente o seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas
Sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre
terça-feira, 16 de maio de 2017
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Senhor do tempo,
sentou-se entre paredes nuas.
O corpo
ainda sem tatuagens
A alma
com pretensões de artista.
No rosto, algo se ilumina
Sem ter sido criado pra criar
Mas vai ter que se acostumar
e se aceitar matéria
A arte é longa
Bukowski
Baudelaire
Erickson Luna
A vida é curta
Sua alma
deita demônios no papel
pra poder dormir
sentou-se entre paredes nuas.
O corpo
ainda sem tatuagens
A alma
com pretensões de artista.
No rosto, algo se ilumina
Sem ter sido criado pra criar
aprendeu
a se preservar poeta.
a se preservar poeta.
Ao modelar o segundo
resisteMas vai ter que se acostumar
e se aceitar matéria
A arte é longa
Bukowski
Baudelaire
Erickson Luna
A vida é curta
Sua alma
deita demônios no papel
pra poder dormir
segunda-feira, 24 de abril de 2017
quarta-feira, 29 de março de 2017
Agradeço
Cada mudança,
tardes com cheiro de lavanda,
chorinho na praça,
a curva de cada estrada
e o que me pedia,
quase nada.
Porque me quiseste feliz,
porque me fizeste feliz
Primaveras elétricas
de doces punhaladas,
palavras guardadas,
escondidas de você,
porque eu fiquei ao teu lado,
ao abrigo da sorte,
e te quis feliz também
Silêncio de turbinas eólicas,
cataventos abatendo pombos,
cabelos soltos,
minha voz grave,
marcas na carne
que mais ninguém testemunhou
porque me quiseste feliz
porque me fizeste feliz
e eu te quis feliz também
Amigos que recebemos
em tempos trágicos,
ocupados em sermos trágicos
nos tributos agônicos,
e o mal que que nos fizemos
quando nossas felicidades
não conversaram mais.
Porque me quiseste feliz
e eu te quis feliz também.
tardes com cheiro de lavanda,
chorinho na praça,
a curva de cada estrada
e o que me pedia,
quase nada.
Porque me quiseste feliz,
porque me fizeste feliz
Primaveras elétricas
de doces punhaladas,
palavras guardadas,
escondidas de você,
porque eu fiquei ao teu lado,
ao abrigo da sorte,
e te quis feliz também
Silêncio de turbinas eólicas,
cataventos abatendo pombos,
cabelos soltos,
minha voz grave,
marcas na carne
que mais ninguém testemunhou
porque me quiseste feliz
porque me fizeste feliz
e eu te quis feliz também
Amigos que recebemos
em tempos trágicos,
ocupados em sermos trágicos
nos tributos agônicos,
e o mal que que nos fizemos
quando nossas felicidades
não conversaram mais.
Porque me quiseste feliz
e eu te quis feliz também.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Esboço de uma conversa
ENTÃO você vai dizer
que toda essa ira
é a pose verbal mais abjeta
e o meu fastio é indecoroso
para início de conversa.
A golpes de flores empalhadas,
arrancará os caracóis dos meus cabelos
dizendo que não velam nada,
nem revelam segredos.
(assim como a minha poética.)
Fará sete cortes no meu banzo
derrubando as louças, o leite
e a minha lente
de examinar domingos.
Me trancará no quarto
e fincará no meu peito
um punhal doce
de lembranças sublimes.
E eu flutuarei sobre o colchão,
dispnéico, no entardecer elétrico
desse nosso outono.
Por fim, você me agarrará
com unhas amoladas e, num golpe final,
arrancará
obtusos prantos
de meu carbono tristonho.
Desenganado,
meditarei um tanto:
o tempo de um trago.
Refeito, vou e lanço
a melhor estratégia
de min`alma hipocondríaca.
Abro fogo para todos os lados
com comedimento planejado,
arrazoando a sala, a servidão, o quarto.
E com discurso afásico,
lhe aturdo e sumo
na fumaça do cigarro.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
SERENA
com Clayton Barros
Entrega teu corpo na cena
vestida de vento
serena, serena
tira a roupa de dentro
serena, serena
Esfrega o suor no poema
o sangue na grama
até que revele
outra veste, outra pele
uma pela morena
Tocar o vazio do espaço
sem nervos, sem aço
o sonho é o chão
Carrega no peito o que somos
o que ainda seremos
nunca morreremos
seremos plantados
em novos terrenos
Tocar o infinito do espaço
sem nervos, sem aço
o sonho é o chão
Entrega teu corpo na cena
vestida de vento
serena, serena
tira a roupa de dentro
serena, serena
o sangue na grama
até que revele
outra veste, outra pele
uma pela morena
Tocar o vazio do espaço
sem nervos, sem aço
o sonho é o chão
Carrega no peito o que somos
o que ainda seremos
nunca morreremos
seremos plantados
em novos terrenos
Tocar o infinito do espaço
sem nervos, sem aço
o sonho é o chão
A ver
Há um fio
que me prende
ao rio
Outro
ao teu corpo
Há uma aliança
com seguro vitalício
Há teu vestido
vazio
Rio, 24/12/2016
que me prende
ao rio
Outro
ao teu corpo
Há uma aliança
com seguro vitalício
Há teu vestido
vazio
Rio, 24/12/2016
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