domingo, 27 de setembro de 2009

O otimista

  • O aumento de 9% no vencimento dos ministos do STF - e, pelo efeito em cascata, de todo o Judiciário - enfim vai garantir uma Justiça ágil, independente e isenta!
  • A criação de 8 mil vagas para vereadores nas Câmaras Municipais aumentará substancialmente o controle sobre os atos dos Prefeitos, melhorará as políticas públicas e elevará o nível do debate político!!
  • Com mais 69 auxiliares no Estados, ao custo mensal de pelo menos R$ 577 mil, as lideranças do Senado captarão os anseios populares e farão leis voltadas ao bem comum!!! Prova de que não se lixam para a opinião pública!!!!
  • A pichadora da Bienal passou dois meses presa (com dois habeas corpus negados) e agora foi condenada a quatro anos de prisão. Belo exemplo de aplicação rigorosa da lei que inibirá a ação de criminosos envolvidos em esquemas como máfia das âmbulâncias, mensalão, conluios com empreiteiras (ex. Gautama), farras com passagens aéreas, propinodutos, compra de votos, grilagem de terras, nomeações de funcionários fantasmas, lavagem de dinheiro através de gados e times de futebol, licitações viciadas...

É assim que eles querem que a gente pense.

Cinco aforismas

1. Em geral, mais importante que o destino é o desatino.
2. A qualidade de uma obra também depende da musa que a inspira.
3. A maioria das pessoas pensa na vida como um álbum de figurinhas.
4. Não aceite um mundo onde uma mãe deixa seu filho órfão para criar o filho de outra.
5. Acredite em Deus, desconfie dos profetas.

André Zahar - 27/09/09 - 1h18AM

sábado, 26 de setembro de 2009

Espada-de-São-Jorge

Um martelo baqueava sem dó.
Uma empregada matraqueava em desatino.
E eu permanecia estático,
Absorto em silenciosa paz.

Diante de mim, os teus olhos cerrados.
Em minha língua, teu hálito de cigarro.
E era como se o meu próprio gosto
subitamente habitasse o meu palato.

A quinta-feira amanhecia repleta de cores e texturas.
Houvesse sinos, dobrariam
ao nos ver sem armaduras.

Você dormia
Eu refletia
ante a resistência de um sentimento
cultivado à meia-sombra

Após tantas guerras, humores
hiatos,
você em meus braços.

Nós dois,
cobertos pelo suspense
e pela delicadeza
de um penúltimo ato.

(André Zahar - maio/2006)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O gênio da raça

http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2009/09/21/violencia.htm

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ritmo e poesia

Tradução tosca de uma canção de rap que é pura poesia:

Libertação Parte 2
Dispneia interna, desassossego exterior
Quando alcancei a liberdade, eu estava sem fôlego
Minha avó perguntou-me por que eu estava correndo
Acho que é pela mesma razão pela qual o sol está ensolarando
Pela qual as mães estão dando à luz
E pela qual alguns dizem que Jesus está vindo
Pelo que sei, a terra está girando devagar
Sóis a meio mastro, as massas não são incandescendentes
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito
Uma escada de metal
Uma cruz de madeira
Uma garrafa plástica da água
Uma mandala presa no vidro
Um espírito preso na carne
Som das cavidades
O grosso do muco liberado pela paixão
Um homem que chora ao dormir
Uma verdade que saiu de moda
Uma forma da expressão
Uma pintura salpicada na parede
Uma caixa de cigarros
Um buquê de cadáveres
Uma floresta morrendo
Um jardim cultivado
Uma prisão privatizada
Uma vela com um pavio quebrado
Uma poça que reflete o sol
Um pedaço de papel com o meu nome
Estou cercado
Eu me rendo
Tudo
Tudo que sou, eu fui
Tudo que eu fui foi um longo caminho trilhado
Eu estou me tornando tudo que eu sou
A saliva no adaptador da flauta
Não ouvida, mas sentida
Uma umidade recolhida
Uma umidade quieta
Som preso em uma bolha
Liberado no vento
Companheiros do vento e comerciantes da terra
Nós somos o detergente da história
Solúvel em água, partículas claras, artigos para limpeza do ar
Artigos que emendam a morte
Estas palavras não são ferramentas de comunicação
São estilhaços de metal
Lançados de oito janelas da história
São cachoeiras e canos de descaga
Pensamentos envelhecidos enrolados em folhas de tabaco
As ferramentas de um comércio
Barbeiros barrados, barreiras comerciais
Slogans e mal-entendidos
Mas eles não repreentam o que eu sinto quando estou sozinho
Cercado por tudo e por nada
E não há uma palavra ou uma frase a ser travadas
Um verso a ser recitado
Um homem para esvaziar meu ser
Eu sou o vazio, o centro contido em um " O"
O conteúdo piramidal de um "A"
Eu estou no meio de tudo que eu aprendi
Tudo que eu memorizei
Tudo que sei de cor
Incapaz de alcançar alguma dessas coisa
Não há nenhuma tristeza
Não há nenhuma felicidade
É uma memória esquecida
Uma rota de fuga memorável só encontrada por quem não olha
Lá, na espinha do dicionário, as palavras são inúteis
Elas são um mero peso sobre a minha negligência
Mas quem pode falar de negligência com mais propriedade
Quem mais aprendeu a discorrer estas idéias antigas
como ratos mortos pendurados pelas caudas
para não contaminar esta pele recém-hidratada
Eu não consigo pensar em nada mais pesado do que um avião
Eu não consigo pensar em um conglomerado maior de aço e metal
Eu não consigo pensar em nada com menos probabilidade de voar
Não há asas mais pesadas
Eu também já senti um peso grande
O olhar fixo de um homem julgando o meu ser
Sim, eu sou um sem-teto
Um homem desabrigado que faz oferendas ao pós-futuro
Esculpindo seringais a partir de pneus gastos e solas de sapato
Uma nação unificada pela exalação
Uma nuvem de fumaça
Uma cerimônia nativa de cachimbo
Todas as pontas de cigarro recolhidas empilhadas em montes
Montanhas cobertas de neve
Batons manchados e enrugados
Oferendas para um outro mundo
Injetores do tatuagem e envoltórios plásticos
Zippers quebrados e bonecas de olhos mortos
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
Não importa do que este papel seja feito
Dê-me cadernos feitos da carne humana
Secado nos ganchos e nós de aço
Faça usos do uso, usos de nós
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito, através da meditação
Eu programo meu coração para pulsar batidas de break e fazer linhas de baixo na exalação

Ouça Blackalicious: "Release Pt. 2'
Ouça Blackalicious: "Release Pt. 1, 2, 3"

sábado, 5 de setembro de 2009

Auto-indulgência

Já era para você ter se convencido muito antes de que não haveria uma segunda dança com ela. Só que nunca lhe pareceu haver qualquer diferença entre resignar ou indignar-se já que a perspectiva era uma só: cem anos de solidão. E na dúvida, você lutou. Anos a fio, você apresentou embargos em bares, despachou com os amigos, comprou litígio até contra si mesmo. Por fim, esgotados os recursos, buscou penas alternativas, apegou-se sofregamente a uma busca por alguém que dançasse como ela, e neste caminho você mais (se) perdeu do que encontrou. A ausência dela, tão presente, insistiu em assombrar-lhe menos como saudade do que como angústia, remorso e doloridas reflexões. E assim correu esta tua penitência auto-imposta até você cumprir o objetivo da tua pena - perceber que não importa que você não dance novamente os passos que alguém te ensina, desde que na dança da tua vida quem conduza seja você.