Dispneia interna, desassossego exteriorQuando alcancei a liberdade, eu estava sem fôlegoMinha avó perguntou-me por que eu estava correndoAcho que é pela mesma razão pela qual o sol está ensolarandoPela qual as mães estão dando à luzE pela qual alguns dizem que Jesus está vindoPelo que sei, a terra está girando devagar
Sóis a meio mastro, as massas não são incandescendentes
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito
Uma escada de metal
Uma cruz de madeira
Uma garrafa plástica da água
Uma mandala presa no vidro
Um espírito preso na carne
Som das cavidades
O grosso do muco liberado pela paixão
Um homem que chora ao dormirUma verdade que saiu de modaUma forma da expressãoUma pintura salpicada na paredeUma caixa de cigarrosUm buquê de cadáveresUma floresta morrendoUm jardim cultivadoUma prisão privatizadaUma vela com um pavio quebradoUma poça que reflete o solUm pedaço de papel com o meu nomeEstou cercadoEu me rendoTudoTudo que sou, eu fuiTudo que eu fui foi um longo caminho trilhadoEu estou me tornando tudo que eu souA saliva no adaptador da flauta
Não ouvida, mas sentida
Uma umidade recolhida
Uma umidade quieta
Som preso em uma bolhaLiberado no vento Companheiros do vento e comerciantes da terraNós somos o detergente da históriaSolúvel em água, partículas claras, artigos para limpeza do ar
Artigos que emendam a morte
Estas palavras não são ferramentas de comunicaçãoSão estilhaços de metalLançados de oito janelas da história
São cachoeiras e canos de descaga
Pensamentos envelhecidos enrolados em folhas de tabaco
As ferramentas de um comércio
Barbeiros barrados, barreiras comerciais
Slogans e mal-entendidos
Mas eles não repreentam o que eu sinto quando estou sozinho
Cercado por tudo e por nada
E não há uma palavra ou uma frase a ser travadas
Um verso a ser recitado
Um homem para esvaziar meu ser
Eu sou o vazio, o centro contido em um " O"O conteúdo piramidal de um "A"Eu estou no meio de tudo que eu aprendi
Tudo que eu memorizei
Tudo que sei de cor
Incapaz de alcançar alguma dessas coisa
Não há nenhuma tristeza
Não há nenhuma felicidade
É uma memória esquecida
Uma rota de fuga memorável só encontrada por quem não olha
Lá, na espinha do dicionário, as palavras são inúteis
Elas são um mero peso sobre a minha negligência
Mas quem pode falar de negligência com mais propriedade
Quem mais aprendeu a discorrer estas idéias antigas
como ratos mortos pendurados pelas caudas
para não contaminar esta pele recém-hidratada
Eu não consigo pensar em nada mais pesado do que um aviãoEu não consigo pensar em um conglomerado maior de aço e metalEu não consigo pensar em nada com menos probabilidade de voarNão há asas mais pesadasEu também já senti um peso grandeO olhar fixo de um homem julgando o meu ser
Sim, eu sou um sem-teto
Um homem desabrigado que faz oferendas ao pós-futuro
Esculpindo seringais a partir de pneus gastos e solas de sapato
Uma nação unificada pela exalação
Uma nuvem de fumaça
Uma cerimônia nativa de cachimbo
Todas as pontas de cigarro recolhidas empilhadas em montes
Montanhas cobertas de neve
Batons manchados e enrugados
Oferendas para um outro mundo
Injetores do tatuagem e envoltórios plásticos
Zippers quebrados e bonecas de olhos mortos
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
Não importa do que este papel seja feito
Dê-me cadernos feitos da carne humana
Secado nos ganchos e nós de aço
Faça usos do uso, usos de nós
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito,
através da meditaçãoEu programo meu coração para pulsar batidas de break e fazer linhas de baixo na exalaçãoOuça Blackalicious: "Release Pt. 2'Ouça Blackalicious: "Release Pt. 1, 2, 3"