Não me passem o ponto,
não me façam dono da rua.
Guardem castelos, amuradas
e as pinturas abstratas
que adornam suas salas.
Pois eu só quero ser pirata.
Outros não me tomem por messias,
esperando que os guie
rumo às terras prometidas
de suas próprias almas.
Pois sou apenas nefelibata.
E não me queiram por inteiro,
estereótipo monolítico,
pois há frações de mim
em livros, pessoas, clichês e retratos.
O entendimento é sempre raro.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Viva o bufão!
As declarações ontem do Tiririca no Congresso (“Cheguei dando sorte”, sobre o aumento de 70% no salário dos parlamentares) me fizeram mudar de opinião.
Eu sempre defendi a eleição dele (assumindo que não tenho juízo formado sobre a questão do analfabetismo), agora acho que ele tem que ser reeleito, se for o caso.
A declaração dele me lembrou daquele livro “Elogio da Loucura”. Então, parafraseando Erasmo de Rotterdam: “O palhaço é o único que tem autorização para dizer a verdade”.
Tenho a expectativa de que o Tiririca será uma peça fundamental na próxima legislatura, denunciando pelo avesso – o avesso da histeria – as dissimulações e o corporativismo dos homens públicos; lançando luz nas jogadas espúrias feitas no escurinho do cinema; e desnudando o lado picaresco da política.
Ele será a mosca na sopa que vai mostrar o quanto nos anulamos como cidadãos e o quanto somos culpados pela malversação dos recursos públicos.
A política não se faz sem bufões, e o Tiririca pode se tornar o maior deles.
Se isso acontecer, melhor do que tá vai ficar.
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Antes de me atirar tomates, leia isso aqui.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Mercado negro
Comemorei meu aniversário em uma praça da Zona Sul. Nesta sublime ocasião, presenciei um fato que jamais imaginei viver neste pouco mais de um quarto de século de vida. Um crime contra a moral, os bons costumes e os valores mais caros à família brasileira. Um fato capaz de ofuscar o brilho da minha celebração. Uma ilegalidade que clama pela imediata intervenção do Bope! Da Interpol!! Da Otan!!!! Eu vi pessoas traficando........... cerveja.
Como diriam os PMs, os meliantes circulavam pelo local em atitude suspeita. Aproximavam-se dos populares e ofereciam o entorpecente - cerveja Itaipava - acondicionada em sacolés, digo, sacos plásticos. Para evitar o flagrante dos guardas municipais (uns três ou quatro faziam ronda), os traficantes esconderam seus isopores e gelo há alguns quarteirões da praça. N0 fim, evadiram sorrateiramente com o produto da atividade criminosa.
É lamentável, mas é verdade. Em 10 de dezembro de 2010 eu comprei cerveja no mercado negro. Preparem o termo circunstanciado e as algemas.

Após militarizar a Lapa, hoje um inofensivo polo cultural onde se ouve pagode e se bebe Smirnoff Ice entre viaturas da polícia e agentes da CET-RIO; após colocar guardas para perseguir vendedores de coco e jogadores de "altinho" na praia... a Prefeitura conseguiu derrotar mais um inimigo público. Tente adivinhar qual:
Flanelinhas? Não. Estes se multiplicaram com a privatização das vagas da Zona Sul.
O mau atendimento nos hospitais? Também não.
O baixo salário dos professores? Este ainda está numa média de R$ 597.
O mau atendimento nos hospitais? Também não.
O baixo salário dos professores? Este ainda está numa média de R$ 597.
A tia que vendia cerveja na praça em escala artesanal? Sim!
Nada contra o ordenamento urbano, mas o bom senso é fundamental. Pois senão... Qual será o próximo passo? Prender baleiros? Pipoqueiros? Teremos um dia que recorrer ao mercado negro de fotógrafos lambe-lambe?
Basta!!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Poema das seis bilhões de faces
Em um dado há seis faces
Em dois, 36 combinações
Agora imagine você
tudo que pode ocorrer
num planeta de seis bilhões
Em dois, 36 combinações
Agora imagine você
tudo que pode ocorrer
num planeta de seis bilhões
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