quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cordel da Corrupção - 21ª a 23ª estrofes

Pode até ser um caminho
pra abrandar a consciência.
Portugal traz o jeitinho
Brasil só torna uma ciência.

Mas é um pensamento errado,
pois roubalheira é um grande mal.
Não pode ser bem tombado,
patrimônio cultural.

O efeito é bem perverso
quando você se corrompe.
O seu ato desonesto
traz doença, morte e fome.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cordel da Corrupção - 19ª e 20ª estrofes

Na França essa baderna
terminava em guilhotina.
No Brasil quem a condena
também já pagou propina.

Muita gente hoje faz merda
E culpa a Era colonial.
Diz: "atire a primeira pedra
quem não comprou policial".

sábado, 17 de outubro de 2009

Cordel da Corrupção - 16ª a 18ª estrofes

Com um contador mui hábil
no balanço dá um jeito
faz manobra contábil
pra ninguém botar defeito

Pagamento de imposto
é outro mal remediado.
Não existe mais desgosto:
o fiscal já vem comprado

Quando tem licitação
ninguém vence mais no grito
o cartel é a solução
pra ninguém ficar aflito

Quando, um dia, a casa cai
E a Federal lhes bate à porta
e o habeas corpus logo sai
e o juiz ganha uma nota

Cordel da Corrupção - 7ª a 15ª estrofes

Mas acredite, não é mansa
a vida de um parlamentar
que tira o doce da criança
e sua merenda escolar

Colarinho branco é ofício
que exige aprendizado
então existem os benefícios
para treinar o deputado.

Nesta cleptocracia
é sempre bom ficar atento
ao comprar a nota fria
ou fraudar o orçamento

O pato novo que é discreto
nadar pro fundo não pode
sem aprender de ato secreto
com o homem do bigode

Pra dominar todas opções
de violação de conduta
convém estudar as posições
que nos ensina o Kama Sutra

E nada de mesquinharia
ao dar cargo a cupincha
pois quem fica sem boquinha
pode iniciar uma rixa

O aprovado em concurso
é o que se acha mais otário
pois quem ganha mais recurso
é um fantasma funcionário

Se na Câmara e Senado
essa praga tem abrigo
roubar no setor privado
também é crime sem castigo

O nosso empresariado
age sem fazer alarde
pois tem bom advogado
e dispensa imunidade

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cordel da Corrupção - 5ª e 6ª estrofes

O Brasil não merece
esta corja de senhores.
O Congresso até parece
uma bolsa sem valores.

Neste pregão, o jogo é outro
quem compra ali é o empreiteiro
A forma de pagamento
são as malas de dinheiro.

Cordel da Corrupção: 4ª estrofe

Promete emprego no cabide,
e vira parlamentar.
O caixa dois então decide
qual projeto apoiar.

Cordel da Corrupção: 3ª estrofe

O cara ganha salário
e ainda rouba da Viúva.
Quando ataca o erário,
mais parece uma saúva.

Cordel da Corrupção: 2ª estrofe

Cervejinha ou propina
suborno ou comissão.
São todos gente fina
Até que atrase o mensalão

Cordel da Corrupção: 1ª estrofe

Esse país tem uma praga
chamada corrupção.
O agente público nos cobra
pra não cumprir sua missão

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Soneto da Pós-Modernidade

O mundo não tem tempo pra poesia,
nem espaço pra indignação.
Somente a prosa do dia-a-dia
grassa nesta esfera em rotação.

E que graça há nesta alegria
de cifras, valium, alienação?
Não haverá chance de euforia,
sem ecstasy, coca, competição?

O silêncio entre dois corpos,
a rocha coberta pelo manto
branco da espuma do mar,

"A sociedade dos poetas mortos".
Lembre-se: todo este tanto
você ainda pode contemplar.

(André Zahar - 5/10/2009 - 1h AM)