segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Desilusão

Voltamos de repente
ao mesmo tamanho
que sempre tivemos


Recife, 16/12/2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SOBRE A POESIA - parte 1 (A Primeira Dor)

A maior descoberta de quando se tem 20 pra 30 anos é que a dor... dói. 

Até então a feridas cicatrizavam rápido, o elixir da juventude é uma beleza. Depois, aí sim, se descobre a primeira dor, a primeira cicatriz. Aquela de que falou Kafka no conto do trapezista. Que Vinicius cantou ao falar de "quem ja passou por essa vida e não sofreu". Aquela dor canalha, porrada no queixo. 


Aí a gente balança e balança, o joelho dobra e o corpo cai. Só não se arrebenta no chão porque nos seguram os amigos, a família, a fé que seja. Aos poucos, a ferida ainda aberta, vamos descobrindo que o preço de não jogar a toalha é fazer da vida uma luta pela existência. Luta esta que se enfrenta para ganhar nos pontos, com estratégia (mesmo que passe por perder um ou outro round). 


O importante, no fim das contas, é a beleza desta luta. É ver-se como o cego fotógrafo, o paralítico pintor, como Nietzsche louco abraçando um cavalo. E perceber que no fundo estão todos dançando, abstraindo a mecânica rudimentar do mundo. Como Mohammed Ali no ringue.


Para começar, convém escolher os ídolos que serão os nossos fiadores nesta luta. Os fiadores, na realidade, dos nossos sonhos. E lembrar sempre que cada um de nós traz em si algo inalienável: a poesia.





terça-feira, 3 de setembro de 2013

Easy Rider

George Hanson: Eles não estão com medo de você. Eles estão com medo do que você representa para eles.

Billy: Ei, cara. Tudo o que nós representamos para eles são pessoas que precisam de um corte de cabelo.

George Hanson:
Oh, não. O que você representa para eles é a liberdade.

Billy:
O que diabos há de errado com a liberdade? A liberdade a melhor coisa que existe.

George Hanson:
Ah, sim, isso é certo. A liberdade é maravilhosa, tudo bem. Mas falar sobre o assunto é uma coisa e vivê-lo é outra coisa diferente. É realmente difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado. Mas nunca conte a ninguém que eles não são livres porque então eles vão cair de pau matando e aleijando vocês para provar que eles são livres. Ah, sim, eles vão falar e falar e falar sobre a liberdade individual. Mas se eles vêem um indivíduo livre, isso vai assustá-los.

Billy:
Bem, eu não boto eles para correrem de medo.

George Hanson:
Não. Isto torna eles perigosos para você.


domingo, 1 de setembro de 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Produtividade é Preguiça

Tenho uma diminuta, quase irrelevante, experiência com meditação. Uma experiência que pode ser resumida em duas linhas: uma aula experimental de Yoga, um retiro de fim de semana em Visconde de Mauá e algumas tentativas por 10 ou 15 minutos dentro de casa. Somente.

Ainda assim, ignorante e relapso, posso assinar embaixo do que é dito neste texto:

"Aprenda como convidar o espaço a entrar na sua vida cotidiana. O próprio espaço vai cuidar de realizar muita coisa que você precisa fazer. Na forma de pessoas solidárias aparecendo, coincidências auspiciosas... E ao fazê-lo, você não está apenas abrindo a si mesmo, esta abrindo o mundo. Tudo se torna uma dança. Já não se trata de ficar 10 horas fazendo uma coisa, mas de responder à maneira que o mundo quer que as coisas sejam feitas. É descentralizado".

Se em algum momento você, ao dançar, se surpreendeu por ter conseguido ficar um instante sem pensar em nada, também sabe do que se está falando aqui. E isto pode acontecer quando você está desenhando, escrevendo, fazendo sexo...

Alex Grey - "Jewel Being"
Estou convencido de que há um ponto em que a arte encontra a espiritualidade, assim como há um ponto em que as duas encontram também a política. E é esse o ponto que me interessa.

Se você já passou por questionamentos semelhantes (ou se não passou, também) não deixe de ler:
http://www.elephantjournal.com/2008/09/dr-reggie-ray-busy-ness-is-laziness/

Lemas de cartazes para quando o gigante acordar de novo



1. Queime um espantalho!
2. Pela socialização das piscinas de condomínio!
3. Contra a gentrificação, a genteficação
4. Abaixo os tapetes vermelhos!
5. É proibido consumir!
6. Queremos PPP: Parceria Público-público
7. Legalize a juventude!
8. É proibido calar catarses
9. Classe média ou classe medo?
10. A TV é só a escolha mais covarde #saidecasa

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Cidades vísiveis


Quando sai do Rio de Janeiro, em março de 2012, uma grande amiga recomendou a leitura do livro "Cidades Invisíveis", do Ítalo Calvino, que, segundo ela, poderia ser interessante para a nova fase. Como é alguém cujas indicações sempre tomo por prioridade, foi a primeira coisa que eu fiz em João Pessoa (PB). A leitura foi, de fato, muito marcante.

Desde então, percorri bastante chão. Por onde passei, busquei exercitar aquele olhar do Marco Polo do livro, que tenta apreender um pouco da lógica, do mistério, do geral e do específico de cada cidade. Fiz muitas fotografias inspiradas nessa leitura e, há pouco, comecei a reuni-las para ter uma ideia de conjunto. O curioso é que, quando olho para elas, percebo que revelam também muita coisa sobre mim.

Quem tiver interesse em vê-las, pode acessar http://cargocollective.com/andrezahar/

Ah, só uma observação: sou fotógrafo amador e não tenho equipamentos como filtros, lente teleobjetiva, flash etc. Então não esperem nenhuma grande produção...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Solução

Quebrando a cabeça
pra achar a chave certa
nem percebi
que a porta estava aberta

sexta-feira, 3 de maio de 2013

trompe l'oeil

Hoje eu achei 
que era Carnaval.
Mais ouvindo descobri
que era a banda marcial

sábado, 20 de abril de 2013

Estudos para um mundo com fim

O livro "Mafuá - Autoajuda para mamutes", feito em parceria com o amigo e artista plástico Leo Sales e lançado em 2012, continua a me dar orgulho. Vi hoje que já está disponível para compra nos sites das livrarias Saraiva e Cultura. E estando longe de qualquer lista de best-sellers :), está perto de pessoas muito especiais. Algumas, inclusive, nos ajudaram a organizar os lançamentos no Rio, João Pessoa e Ceará. Outras se aproximaram da gente justamente nesses (re)encontros inesquecíveis que renderam fortes abraços e papos e momentos muito muito belos. Para não falar o contato com outros autores, poetas e artistas.

Outros lançamentos de "Mafuá" não estão descartados, mas agora é a vez de dar um pouco de atenção a outro filhote que chegou às prateleiras agora em março. "O último livro do fim", uma coletânea internacional de contos sobre o fim dos tempos, inclui uma contribuição minha. É o inédito "Estudo para um mundo só".

Não vou falar muito sobre o conteúdo, para não direcionar a leitura.

Há alguns dias, revirando forçosamente algumas coisas antigas, encontrei a folha de caderno em que  escrevi a primeira versão do conto, na biblioteca da Universidade Federal da Paraíba, em meados de novembro do ano passado. Os últimos retoques foram dados durante a viagem ao Ceará.

É sempre interessante reencontrar estes fósseis de sentimentos. Eu lembro exatamente de onde estava -e do que sentia- quando escrevi cada poema do "Mafuá", p.ex.: "Cinética" (Cinelândia/CCBB), "Mirada budista" (praia de Copacabana), "Ontogênese" (Parque Guinle), "Ídolo" (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ)... e com os contos, o mesmo. Encontrar rascunhos é sempre uma viagem no tempo, um retorno para uma fase vivida e superada (ou não) dessa ontogênese nossa de cada dia, desse parto de si mesmo que dá um trabaaaaalho...

Como a ontogênese recapitula abreviadamente a filogênese - tá aí o Terrence Malick que não me deixa mentir - estes manuscritos antigos às vezes mostram um resquício de cauda numa percepção mais rude, ou uma garra sem pelica nas adjetivações... e, provavelmente, quando eu reler este mesmo texto (apenas para registro: escrito em uma casa no Poço da Panela, no Recife) daqui a um tempo vou ter impressão semelhante. Sinal de que terei passado para outro estágio da evolução.

Por que eu estou falando isso? porque às vezes é auspicioso meditar sobre o fim. Daí a importância, para mim, do convite feito pela Editora Baluarte. Foi este o significado da proposta, mais do que imaginar o fim do mundo, da vida etc., o fim das coisas, das fases, que é também início de coisas, fases. Fim que deixa às vezes um travo amargo, ou um gostinho de quero mais. Fim que às vezes não percebemos, mesmo quando tudo ao redor vai ganhando aspecto de sombra.

A pós-modernidade contribui para firmar a ideia de um presente constante, para reduzir os espíritos das eras a meros estilos. Virtualmente não há mais fim, só Ctrl C + Ctrl V, pastiche, cosplay. Mais ou menos o que fazia o pai do Buda ao mantê-lo, durante a infância, num castelo alheio a tudo que era perecível e mortal. Na ordem do dia de alguém que busca a sabedoria, entretanto, às vezes é importante refletir até que ponto o fim, e não os fins, dá sentido e justifica os inícios e os meios.

FIM

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013