sexta-feira, 23 de setembro de 2011
A gaia ciência
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Para além do bem e do mal

terça-feira, 2 de agosto de 2011
Filofobia
a imprensa marrom
a varize
na parede do sonho
o editorialista
pré-rafaelista
inimigo da perspectiva
do dark side de Pind Floyd
da fase azul de Picasso.
Ofereço polidamente
a quem sofre porque sente
a noção clara
de certo e errado
o olhar sem linha de hesitação.
Ao viado
ópio publicitário:
compre aproveite não perca.
Chão de fábrica
para o desterrado.
Eu sou a liquidez de mercado
dos gênios de 27.
A misantropia
das bomba de fragmentação
dos protestos da mais alta
estima e consideração.
Sou filofobia
cortinas fechadas
vida partida.
Tratores que destroem mangues
levam meu nome
e no motor
carregam meu ódio,
que compacta a criação.
Eu sou a utopia de um mundo
que seja apenas trabalho
e genitalização
Rio de Janeiro, 30 de julho de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Trabalho e tédio
Buscar trabalho pelo salario – nisso quase todos os homens dos países civilizados são iguais; para eles trabalho é um meio,não um fim em si; e por isso são poucos refinados na escolha do trabalho, desde que proporcione uma boa renda.Mas existem seres raros, que preferem morrer a trabalhar sem ter prazer no trabalho: são aqueles seletivos, dificeis de satisfazer, aos quais não serve uma boa renda, se o trabalho mesmo não for a maior de todas as rendas.A esta rara espécie de homens pertencem os artistas e contemplativos de todo gênero, mas também os ociosos que passam a vida a caçar, em viagens, em atividades amorosas e aventuras. Todos estes querem o trabalho e a necessidade, enquanto estejam associados ao prazer, e até o mais duro e difícil trabalho, se tiver de ser. De outro modo são de uma resoluta indolência, ainda que ela traga miséria, desonra, perigo para a saúde e a vida.Não é o tédio que eles tanto receiam, mas o trabalho sem prazer; necessitam mesmo do tédio para serem bem sucedidos no seu trabalho. Para o pensador e para todos os espiritos inventivos, o tédio é aquela desagradavel “calmaria” da alma, que precede a viagem venturosa e os ventos joviais; ele tem de suportá-la, tem de aguardar em si o seu efeito: – é justamente isso o que as naturezas menores não conseguem obter de si!
Afastar o tédio a todo custo é vulgar: assim como é vulgar trabalhar sem prazer.Algo que talvez distinga os asiáticos, em relação aos europeus, é o fato de serem capazes de uma mais prolongada calma do que estes; mesmo os seus narcóticos agem lentamente e exigem paciência, ao contrario da repulsiva rapidez do veneno europeu, o alcool.
(A Gaia Ciência, Aforismo 42, Nietzsche)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Assim pensamos
dizendo um monte de não
mirando o lá fascinante
com um pórtico
que um dia penetrará
pedalando bicicleta
de rodinhas.
Atingido esse ponto,
a gente será feliz
pois verá tudo do alto
da cadeia alimentar.
O quanto de nós tiver ficado
pelo caminho
que importância terá?
Nos confortará
pensar que elos
foram feitos
mesmo
para ser perdidos.
Mas se antes
passarem-se anos
de agora aquém,
convém lembrar
dos comprimidos
e outros meios
mais ou menos
violentos
de prender sonhos
em inexpugnáveis
Bastilhas.
Sim.
Chegar lá
valerá o sacrifício,
o tônus perdido.
Valerá
a sodomia
que dá sustento
às putas cafetinadas
que somos agora,
sempre a emular orgasmos
sem messias
que nos devolva
a porção de céu
do olhar,
ou liberte o amor encruado
na carne neurótica.
Sem contar que
quando chegarmos lá
teremos nosso arco do triunfo
e nossa marcha da vitória.
[Vitória que nos permitirá fraudar a estória com insuspeitas folhas de parreira].
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Ídolo
Lamba-te a ti mesmo
numa cama de aplausos.
Sorria marfim
para as catapultas de luz.
Deixa-te empalhar
em bytes e gigabytes.
Teu tempo agora
são gotas de licor:
embriaga-te.
E mais que tudo,
narciso cintilante,
a ninguém confessa
teu incômodo
com um qualquer
broto de pus.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Reforma política de iniciativa popular
- Negociações espúrias em troca de tempo de TV;
- Desvio de verbas do fundo partidário;
- "Venda" de indicação para a lista partidária de interessados em se candidatar;
- Negociações políticas no varejo em troca de cargos etc.
- Cláusula de barreira - Existem partidos ideológicos de tamanho reduzido. Eles não serão penalizados. Poderão continuar a existir, entretanto, perdem o acesso ao fundo pártidário. Se preferirem, se fundem, formam coalizões, passam a integrar outros partidos como correntes políticas ou atuam como movimentos sociais. Na prática, pouca coisa muda para os partidos pequenos sérios.
- Fim das coligações proporcionais - Partidos minoritários não poderiam se beneficiar com os votos de partidos grandes, mas também não poderiam transferir para eles seus tempos de TV e rádio. As coligações seriam puramente ideológicas, sem outros interesses que não implementar programas de governo afins.
Sem essas medidas, o financiamento público será um tiro pela culatra. Novas legendas se proliferarão para receber recursos públicos indiscriminadamente.
Sobre o financiamento público, aliás, a melhor proposta é a do deputado federal José Antônio Reguffe (PDT-DF). Ele defende a padronização do material de campanha e das produções audiovisuais, que seriam produzidas por empresa contratada mediante licitação.
Além disso, sugiro a manutenção do voto obrigatório (para evitar contestações quanto à legitimidade das votações).
Outra sugestão importante: possibilidade de reeleição por apenas um mandato para todos os cargos. Assim se reduz o personalismo da política brasileira e a formação de "políticos profissionais" que se perpetuam no cargo, fazendo da vida pública uma extensão da privada.
Mais uma sugestão de suma importância: proibição do segredo de Justiça para processos que apurem crimes de corrupção, peculato e atos de improbidade administrativa."
Se você concorda com as teses, reencaminhe para o e-mai lcitado. Se discorda, mande suas sugestões. O importante é participar deste processo político.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Deus me livre de ser feliz :)
Luiz Felipe Pondé, Folha de S. Paulo (07/03/11)
Existem coisas mais sérias que a felicidade.
Algum sabichão por aí vai dizer, sentindo-se inteligentinho: "Existem várias formas de felicidade!". E o colunista dirá: "Sou filósofo, cara. Conheço esse blá-blá-blá de que existem vários tipos de felicidade, mas hoje não estou a fim".
Um bom teste para saber se o que você está aprendendo vale a pena é ver se o conteúdo em questão visa te deixar feliz.
Se for o caso e você tiver uns 40 anos de idade, você corre o risco de sair do "curso" engatinhando como um bebê fora do prazo de validade. A mania da felicidade nos deixa retardados.
Querer ser feliz é uma praga. Quando queremos ser felizes sempre ficamos com cara de bobo. Preste atenção da próxima vez que vir alguém querendo ser feliz.
Mas hoje em dia todo mundo quer deixar todo mundo feliz porque agradar é, agora, um conceito "científico". Quem não agrada, não vende, assim como maçãs caem da árvore devido à lei de Newton.
Mas eu, talvez por causa de algum trauma (fiz análise por 20 anos e acho que Freud acertou em tudo o que disse), não quero agradar ninguém.
Não considero isso uma "vantagem moral", mas uma espécie de vício. Claro, por isso tenho poucos amigos. Mas, como dizem por aí, se você tiver muitos amigos, ou você é superficial, ou eles são, ou os dois.
Quanto aos meus alunos e leitores, esses eu nunca penso em deixar felizes, graças a Deus.
Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.
Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.
Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar.
Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um covarde.
Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.
Espero que um dia descubram que, sim, eles têm um preço (apenas desejo que seja um preço alto) e que se vendam.
Espero que percebam que seus pais não foram santos e parem com essa coisa de gente brega de classe média que tenta inventar uma "tradição ética familiar" que só engana bobo.
E por que digo isso? Porque hoje todos nós estamos um tanto infantilizados e só queremos que nos digam o que achamos legal.
O resultado é uma massa de obviedades. A tendência é transformar o pensamento público em autoajuda ou em "compromisso com um mundo melhor", o que é a mesma coisa.
Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz". Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.
Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.
Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego.
Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia ou magra demais. Mulheres bonitas vão para o inferno, logo...
E gente que acha que frango tem mãe (só porque ele "descende" do ovo de uma galinha, e ela de outro...) e por isso é crime matá-los? Trata-se de uma nova forma de compromisso com a "felicidade social e política".
Entre esses "felizes que desejam a felicidade para os frangos" existem pessoas de 40 anos com cérebro de dez e pessoas de dez anos que um dia terão 40, mas com o mesmo cérebro de dez. Não creio que mudem.
Hoje é Carnaval. Espero que você não tenha pegado aquele trânsito idiota de cinco horas para ser feliz na praia.
quinta-feira, 10 de março de 2011
São Bento
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Memento mori
Ontem, por acaso, encontrei na coluna do Arnaldo Jabor - perto do fim, depois de uns cinco parágrafos apocalípticos e previsíveis - uma citação do poeta John Keats que resume a ideia central que eu desejava explorar. Dizia ele que as coisas são belas porque morrem, a rosa de porcelana não é tão bela como a que desmaia e fenece.
Nunca li Keats e, da mesma forma, não travei contato com o Livro Tibetano dos Mortos. Mas intuo que algo nele também deve ir ao encontro das reflexões que eu tenho feito sobre o assunto.
Em suma, considero a consciência da morte, talvez, o fator mais estruturante da condição humana. Sem a percepção da própria finitude, provavelmente não criaríamos cultura alguma, não teríamos arte, metafísica, religiões. A morte não é bela em si - apenas natural - mas é o que dá sentido à palavra "obra", tão cara à humanidade.
Até as estrelas morrem, mas o homem de hoje não quer pensar nisso. Ele só deseja evitá-la. Entretanto, as cirurgias plásticas, o oba-oba histérico das boates, os manuais de auto-ajuda estupidificantes, a fé nas promessas de vida eterna, as risadas gravadas das sitcoms... tudo isso só atesta o seu profundo e inconsciente medo da "indesejada das gentes".
Ora. Pensar na morte não é desejá-la. É aceitá-la como "lei de vida" (como canta o uruguaio Jorge Drexler). Até prova em contrário, esta me parece uma condição sine qua non para uma existência mais plena. Por um simples fato: colocamos muito mais de nós em cada momento se sabemos que ele é único. E aproveitamos muito mais a companhia dos outros que reconhecemos mortais.
Ok, sou um estudioso das Ciências Humanas em um mundo desumanizado - e por isso provavelmente ganharei sempre baixos salários. Talvez um dia isso que eu chamo de "condição humana" seja um conceito ultrapassado e a humanidade encontre soluções sintéticas que finalmente garantam uma felicidade infinita (enquanto dure). Mas aí seremos outro tipo de criatura.
Até lá, meu amigo humano, Memento mori. Lembre-se de que você morrerá.
