
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Coisas de amor
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Cordel da Corrupção - 24ª a 26ª estrofes
O pensamento venal
de perdoar tostões a menos
no Tesouro nacional.
Um centavo desviado
Já é caso de punição
Pois deixa de ser empregado
em saúde e educação.
Alguém que por circunstância
tira verba da sua comida
não merece a mesma instância
em que se julga um genocida?
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Cordel da Corrupção - 21ª a 23ª estrofes
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Cordel da Corrupção - 19ª e 20ª estrofes
sábado, 17 de outubro de 2009
Cordel da Corrupção - 16ª a 18ª estrofes
Quando, um dia, a casa cai
E a Federal lhes bate à porta
e o habeas corpus logo sai
e o juiz ganha uma nota
Cordel da Corrupção - 7ª a 15ª estrofes
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Cordel da Corrupção - 5ª e 6ª estrofes
esta corja de senhores.
O Congresso até parece
uma bolsa sem valores.
Neste pregão, o jogo é outro
quem compra ali é o empreiteiro
A forma de pagamento
são as malas de dinheiro.
Cordel da Corrupção: 4ª estrofe
e vira parlamentar.
O caixa dois então decide
qual projeto apoiar.
Cordel da Corrupção: 3ª estrofe
e ainda rouba da Viúva.
Quando ataca o erário,
mais parece uma saúva.
Cordel da Corrupção: 2ª estrofe
suborno ou comissão.
São todos gente fina
Até que atrase o mensalão
Cordel da Corrupção: 1ª estrofe
chamada corrupção.
O agente público nos cobra
pra não cumprir sua missão
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Soneto da Pós-Modernidade
nem espaço pra indignação.
Somente a prosa do dia-a-dia
grassa nesta esfera em rotação.
E que graça há nesta alegria
de cifras, valium, alienação?
Não haverá chance de euforia,
sem ecstasy, coca, competição?
O silêncio entre dois corpos,
a rocha coberta pelo manto
branco da espuma do mar,
"A sociedade dos poetas mortos".
Lembre-se: todo este tanto
você ainda pode contemplar.
(André Zahar - 5/10/2009 - 1h AM)
domingo, 27 de setembro de 2009
O otimista
- O aumento de 9% no vencimento dos ministos do STF - e, pelo efeito em cascata, de todo o Judiciário - enfim vai garantir uma Justiça ágil, independente e isenta!
- A criação de 8 mil vagas para vereadores nas Câmaras Municipais aumentará substancialmente o controle sobre os atos dos Prefeitos, melhorará as políticas públicas e elevará o nível do debate político!!
- Com mais 69 auxiliares no Estados, ao custo mensal de pelo menos R$ 577 mil, as lideranças do Senado captarão os anseios populares e farão leis voltadas ao bem comum!!! Prova de que não se lixam para a opinião pública!!!!
- A pichadora da Bienal passou dois meses presa (com dois habeas corpus negados) e agora foi condenada a quatro anos de prisão. Belo exemplo de aplicação rigorosa da lei que inibirá a ação de criminosos envolvidos em esquemas como máfia das âmbulâncias, mensalão, conluios com empreiteiras (ex. Gautama), farras com passagens aéreas, propinodutos, compra de votos, grilagem de terras, nomeações de funcionários fantasmas, lavagem de dinheiro através de gados e times de futebol, licitações viciadas...
É assim que eles querem que a gente pense.
Cinco aforismas
2. A qualidade de uma obra também depende da musa que a inspira.
3. A maioria das pessoas pensa na vida como um álbum de figurinhas.
4. Não aceite um mundo onde uma mãe deixa seu filho órfão para criar o filho de outra.
5. Acredite em Deus, desconfie dos profetas.
André Zahar - 27/09/09 - 1h18AM
sábado, 26 de setembro de 2009
Espada-de-São-Jorge
Uma empregada matraqueava em desatino.
E eu permanecia estático,
Absorto em silenciosa paz.
Diante de mim, os teus olhos cerrados.
Em minha língua, teu hálito de cigarro.
E era como se o meu próprio gosto
subitamente habitasse o meu palato.
A quinta-feira amanhecia repleta de cores e texturas.
Houvesse sinos, dobrariam
ao nos ver sem armaduras.
Você dormia
Eu refletia
ante a resistência de um sentimento
cultivado à meia-sombra
Após tantas guerras, humores
hiatos,
você em meus braços.
Nós dois,
cobertos pelo suspense
e pela delicadeza
de um penúltimo ato.
(André Zahar - maio/2006)
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ritmo e poesia
Libertação Parte 2
Quando alcancei a liberdade, eu estava sem fôlego
Minha avó perguntou-me por que eu estava correndo
Acho que é pela mesma razão pela qual o sol está ensolarando
Pela qual as mães estão dando à luz
E pela qual alguns dizem que Jesus está vindo
Pelo que sei, a terra está girando devagar
Sóis a meio mastro, as massas não são incandescendentes
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito
Uma escada de metal
Uma cruz de madeira
Uma garrafa plástica da água
Uma mandala presa no vidro
Um espírito preso na carne
Som das cavidades
O grosso do muco liberado pela paixão
Um homem que chora ao dormir
Uma verdade que saiu de moda
Uma forma da expressão
Uma pintura salpicada na parede
Uma caixa de cigarros
Um buquê de cadáveres
Uma floresta morrendo
Um jardim cultivado
Uma prisão privatizada
Uma vela com um pavio quebrado
Uma poça que reflete o sol
Um pedaço de papel com o meu nome
Estou cercado
Eu me rendo
Tudo
Tudo que sou, eu fui
Tudo que eu fui foi um longo caminho trilhado
Eu estou me tornando tudo que eu sou
A saliva no adaptador da flauta
Não ouvida, mas sentida
Uma umidade recolhida
Uma umidade quieta
Som preso em uma bolha
Liberado no vento
Companheiros do vento e comerciantes da terra
Nós somos o detergente da história
Solúvel em água, partículas claras, artigos para limpeza do ar
Artigos que emendam a morte
Estas palavras não são ferramentas de comunicação
São estilhaços de metal
Lançados de oito janelas da história
São cachoeiras e canos de descaga
Pensamentos envelhecidos enrolados em folhas de tabaco
As ferramentas de um comércio
Barbeiros barrados, barreiras comerciais
Slogans e mal-entendidos
Mas eles não repreentam o que eu sinto quando estou sozinho
Cercado por tudo e por nada
E não há uma palavra ou uma frase a ser travadas
Um verso a ser recitado
Um homem para esvaziar meu ser
Eu sou o vazio, o centro contido em um " O"
O conteúdo piramidal de um "A"
Eu estou no meio de tudo que eu aprendi
Tudo que eu memorizei
Tudo que sei de cor
Incapaz de alcançar alguma dessas coisa
Não há nenhuma tristeza
Não há nenhuma felicidade
É uma memória esquecida
Uma rota de fuga memorável só encontrada por quem não olha
Lá, na espinha do dicionário, as palavras são inúteis
Elas são um mero peso sobre a minha negligência
Mas quem pode falar de negligência com mais propriedade
Quem mais aprendeu a discorrer estas idéias antigas
como ratos mortos pendurados pelas caudas
para não contaminar esta pele recém-hidratada
Eu não consigo pensar em nada mais pesado do que um avião
Eu não consigo pensar em um conglomerado maior de aço e metal
Eu não consigo pensar em nada com menos probabilidade de voar
Não há asas mais pesadas
Eu também já senti um peso grande
O olhar fixo de um homem julgando o meu ser
Sim, eu sou um sem-teto
Um homem desabrigado que faz oferendas ao pós-futuro
Esculpindo seringais a partir de pneus gastos e solas de sapato
Uma nação unificada pela exalação
Uma nuvem de fumaça
Uma cerimônia nativa de cachimbo
Todas as pontas de cigarro recolhidas empilhadas em montes
Montanhas cobertas de neve
Batons manchados e enrugados
Oferendas para um outro mundo
Injetores do tatuagem e envoltórios plásticos
Zippers quebrados e bonecas de olhos mortos
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
Não importa do que este papel seja feito
Dê-me cadernos feitos da carne humana
Secado nos ganchos e nós de aço
Faça usos do uso, usos de nós
Tudo me esmaga, carvalho e olmo
Tenho semeado uma floresta de mim
Livros pequenos de árvores altas
De joelhos, prostrado diante de uma árvore plantada
Eu fiz a floresta processar-me
Mesas e cadeiras
Papéis e orações
Matéria contra o espírito, através da meditação
Eu programo meu coração para pulsar batidas de break e fazer linhas de baixo na exalação
Ouça Blackalicious: "Release Pt. 2'
Ouça Blackalicious: "Release Pt. 1, 2, 3"
sábado, 5 de setembro de 2009
Auto-indulgência
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Carta ao Tom 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Um caminho para chamar de seu
Estas palavras não devem ser interpretadas como uma ode à vida hedonista, mas como um alerta contra o conformismo, este sentimento que de tão reinante só nos mostra que o medo de viver é igualmente ou mais difundido do que o medo de morrer. As pessoas se protegem da vida com preconceitos e rotinas. Enclausuram-se em pensamentos fáceis e sentimentos folhetinescos.
Por quê?
Para o rabino Nilton Bonder, a vida é caracterizada pela permanente tensão entre o desejo de autopreservação do corpo e as demandas transgressoras da alma. O corpo é moral, conservador, deseja manter-se íntegro. A alma é imoral, capciosa, almeja a transcendência. Viver apenas pelos ditames do corpo é não explorar a vida em toda sua plenitude. Ceder a todos os desejos da alma é caminhar para o abismo.
Em qualquer tempo, viver sem dar grande importância aos imperativos da alma sempre foi o caminho indiscutivelmente mais fácil e popular. Afinal, que esforço nos exige o apego a um espaço vital para o corpo e a mente? E a aceitação mecânica do senso comum? Nenhum. ‘Living is easy with eyes closed‘, disseram os Beatles.
O caminho de ‘viver‘ com alma envolve riscos e renúncias materiais e pessoais. Para não abrir mão da alma, às vezes é preciso fazê-lo com relação ao vil metal, por exemplo.
A existência de quem toma a ‘pílula vermelha‘ não é fácil. E não é preciso ser um avatar como o Neo, do ‘Matrix‘, ou uma mãe da Plaza de Mayo para saber um pouco do que ocorre com quem desafia o status quo. No limite, pode conduzir a crucificação, enforcamento, fuzilamento ou à fogueira.
No mínimo, não seguir a corrente, não rezar pela cartilha de uma igreja, tribo ou partido político pode gerar um vasto sentimento de solidão, como o de quem luta contra a máfia napolitana, para voltar a citar o livro ‘Gomorra‘, do Roberto Saviano.
Sentir-se estranho no ninho é parte do risco, mas a cada dia que passa, fica mais claro para mim que não há outra maneira de chegar à realização do que se jogar na vida e construir o próprio ninho.
***
Cada um tem a sua ‘tensão‘. No meu caso pessoal, a experiência de empenhar a alma tem sido antes de tudo a experiência do questionamento constante.
Se, como jornalista, a interrogação para mim é uma ferramenta de trabalho tão importante quanto o cinzel de um escultor, minha busca profissional tem sido capacitar-me para perguntar cada vez melhor.
Se, como destaca o livro Freakonomics, que ando lendo avidamente, fazer boas perguntas e refutar a ‘sabedoria convencional' é fator que leva ao conhecimento, minha busca pessoal tem sido capacitar-me para perguntar cada vez melhor a mim mesmo.
Eu quero levantar indagações como Brecht em ‘Perguntas de um trabalhador que lê‘: ‘Quem construiu a Tebas de sete portas? / Nos livros estão nomes de reis. / Arrastaram eles os blocos de pedra? (...)‘.
Quero ser capaz de perguntar como os autores do Freakonomics: ‘Por que os traficantes continuam morando com as mães?‘.
***
Cada um tem a sua ‘tensão‘. Uma amiga minha diz se sentir cada vez mais só no caminho que escolheu. Decerto se ela tivesse a capacidade de se dissolver numa multidão qualquer sem sentir-se frustrada, seria muito mais simples. Mas não é o caso. E por isso respondo a ela:
- Veja pelo lado bom. É bonito saber que existe um caminho que é só seu.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
O sublime
Em que pese a empatia comovente quando me cobra que habilite o cheque especial, desconfio que a funcionária do Bradesco não me ama de verdade. Mas talvez eu seja apenas um ingrato, afinal o banco é atualmente quem mais me manda cartas pelo correio. Tudo bem, elas não chegam em papel de carta perfumado como o que usava nas declarações de amor do curso de alfabetização. Ainda assim são cartas. Epístolas em papel reciclado, já é alguma coisa. Elas me chegam todos os meses e eu não me dou ao trabalho de respondê-las! Talvez eu seja um sonso.
***
Talvez eu seja um utópico, um poeta frustrado, um saudosista de um tempo onde era possível contemplar pelo menos umas poucas coisas boas da vida sem ter que coçar o bolso. Mas não acho que esteja tudo perdido. Não precisamos fugir em massa para Never Land. Não enquanto a Babilônia, esta terra arrasada, ainda puder nos propiciar o pôr do sol gratuito no Arpoador e um punhado de laços de afinidades alheios ao "fetichismo da mercadoria", conceito do Marx que me explicaram melhor hoje.
***
Eu ontem eu tive insônia. Dormi 1h e acordei às 4h30 com ideias meio confusas, ainda sem discernir muito bem sonho e realidade. Eu não conseguia parar de pensar que havia esquecido um aniversário importante (sabe se lá por que!) e, para tirar a dúvida, fui abrir o meu e-mail. E, neste estado onírico, encontrei o estranho e terapêutico depoimento sobre mim feito pela querida Mariana Moura.
***
A descrição não corresponde 100% à auto-imagem que eu costumo conceber. Provavelmente também não coaduna com o julgamento de outros sobre mim. Mas isso não importa, afinal, não se trata de um espelho, e sim de um olhar. E não é qualquer olhar. É o de uma pessoa que, mesmo me conhecendo há não mais que seis meses, registra meus vícios, virtudes, manias, idiossincrasias e "infantilidade" - como ela destaca - com um conhecimento de causa singular, fruto de sua rara sensibilidade.
***
O valor do depoimento está em ser uma impressão subjetiva, com distorções, e não uma reprodução mecânica, fidedigna. Nele me vi exposto em carne viva. A vontade era a de imprimir o texto, fazer um barquinho de papel e lançar num rio. Por que? Talvez estivesse imbuído do espírito de quem atira mensagens em garrafas no mar ou sondas com fotos e músicas da terra às últimas fronteiras do sistema solar. Queria mostrar que, de alguma maneira, podemos nos entender. E assim não estamos sós.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Diploma e mercado jornalístico
sábado, 30 de maio de 2009
Elogio da raiva
Quem leu o livro e acompanha o noticiário pode imaginar a estranha confluência entre os fatos narrados por Roberto Saviano e os revelados, em entrevista coletiva, pelo delegado da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) Claudio Ferraz.
Não vou discorrer sobre o monstro criado à margem do Estado, assunto exaustivamente debatido pelos especialistas. Minha reflexão surgiu a partir do livro de Roberto Saviano. Mais especificamente quando falar de quem denuncia e confronta a máfia napolitana.
Diz ele que este militante "deve encontrar alguma coisa que segure o estômago da alma para ir adiante. Cristo, Buda, o compromisso com a sociedade, a moral, o marxismo, o orgulho, o anarquismo, a luta contra o crime, a polícia, a raiva constante e perene, a própria região do Mezzagiorno".
Em seu caso, nascido e criado numa das regiões conflagradas, a potência da luta surge desta "raiva constante e perene" e não da religiosidade ou de uma filosofia política. Raiva esta que, a exemplo dos conterrâneos da Brigada vermelha ou do PCC, ele poderia ter usado para mandar alguns edifícios pelos ares. Mas não. Saviano faz do verbo sua pólvora, sua navalha. O livro é perfuro-cortante. Ooderia ser confiscado em qualquer embarque de voo internacional.
A denúncia, furiosa, atinge no âmago a força econômica, a influência política, a anomia cultural, a brutalidade e a opressora onipotência dos clãs italianos. Ele não tergiversa, não faz concessões. Seu livro-dossiê é um arsenal de informações altamente destrutivas. E, nisso tudo, ele é sempre movido por ela, a raiva.
O importante disso tudo é mostrar que a raiva pode, sim, ser trabalhada em prol de um mundo melhor. Não estou falando de extremismos. A raiva não precisa necessariamente conduzir ao jacobinismo, ao fundamentalismo, à luta armada.
Duvido, por exemplo, que Cristo não tivesse raiva dos romanos; Gandhi dos colonos ingleses; Luther King do racismo. A não-violência é uma forma da litígio. Se estes líderes não formaram brigadas e guerrilhas foi porque, como Saviano, acreditaram no poder da palavra, da informação, da justiça e do argumento. Todos parecem ter a mesma consciência do autor de uma frase que li outro dia: "a informação é uma granada de mão". Não sei se o deputado ameaçado pelas mílicias do Rio, Marcelo Freixo, também tem raiva, mas acho bem possível.

Eu tenho. Sinto raiva dos motoqueiros que furam o sinal em alta velocidade. Dos políticos que roubam alegando falta de regras claras (que tal o mandamento "não furtarás"?). Do idiota que finge dormir para não ceder o lugar no metrô para a velhinha. De quem fura a fila. De quem abusa de uma criança ou de uma mulher. De quem age com os outros como senhor de engenho. De quem se impõe pela força. De quem tem todas oportunidades e não ajuda em nada a melhorar nosso "belo quadro social".
E você? Sente raiva? Pois então reaja. A solução para os nossos problemas não é a docilidade dos homens cordiais. Não é dar a outra face. Faça algo, nem que seja como as pessoas do filme "Rede de Intrigas", que vão para a janela e gritam:
"ESTOU COM RAIVA PRA CACETE E NÃO VOU MAIS TOLERAR NADA DISSO!!!!"
Acredite. A raiva pode ser o elixir para a sua alma e o dínamo para um mundo melhor.
domingo, 24 de maio de 2009
Hip to be square
Meninas copiam os ídolos Jonas Brothers e adotam o acessório, que marca sua opção pelo sexo só após o casamento
POR AMANDA PINHEIRO, RIO DE JANEIRO
Rio - Não deu muito certo com Britney Spears nem com Miley Cyrus, a Hannah Montana. Mas bastou os ‘irmãos bom partido’ Jonas Brothers passarem por aqui para que o voto de castidade, simbolizado pelo anel da pureza, virasse febre entre fãs da banda. Os irmãos Joe, 19 anos, Kevin, 21, e Nick, 16 — que atraíram um batalhão de jovens à Apoteose, ontem —, prometeram: sexo, só depois do casamento. Inspiradas no trio, Natasha, Marianne, Angelica e muitas outras fãs, também. Os pais e a Igreja disseram amém à nova moda.
QUALQUER ANEL VALE
Na falta de uma réplica do anel exato usado pelos meninos, vale escolher qualquer modelo. O que importa é a simbologia. “Quem ama espera. Acredito nisso e vou fazer o mesmo. Meu namorado vai ter que esperar”, decretou Angelica. Para reforçar o compromisso, as amigas o repetem para as outras, como um pacto. “Mesmo que os Jonas quebrem a promessa, continuamos com o voto”, prometeu Natasha.
( ... )
***
Parem o mundo, eu quero descer. É por isso que eu leio Allan Sieber:
Mommy's Boys 1, Mommy's Boys 2, Mommy's Boys 3, Mommy's Boys 4
domingo, 10 de maio de 2009
Por uma vida menos ordinária
Diz a Wikipedia: "O planejamento estratégico é um processo gerencial contínuo e sistemático, que diz respeito à formulação de objetivos para a seleção de programas de ação e para sua execução". Eu não queria começar meu texto caindo no clichê da definição de uma expressão, mas achei importante situar em linhas gerais este conceito que admito não ter know-how suficiente para analisar em mais detalhes.O fato é que, no meu imaginário, "planejamento estratégico" associava-se a executivos usando laptops em salas vips de aeroportos ou homens de terno perguntando na livraria Galáxia, do Centro (onde eu trabalhei), o preço do livro "A Arte da Guerra". Em nossas mentes binárias, costumamos achar que o que está neste mundo corporativo "Yang" não cabe no mundo "Yin" da criação artística.
Nesta linha de raciocínio, "planejamento estratégico" pode parecer quase um antônimo de "poesia". Mas não é verdade. Um exemplo de que os recursos de geração de riqueza material podem servir para a criação de riqueza estética é a trajetória do artista "circense" Philippe Martin, retratado no filme "O Equilibrista".
Philippe tinha um sonho: andar por um cabo de aço entre o topo das torres Sul e Norte do World Trade Center, a 415 metros de altura. A pulsão não era a dominar o mundo; nem ele sabia explicar a razão para tentar a façanha. De todas as suas preocupações, porém, a ausência de lógica era menor. Ele tinha o sonho e isto era o bastante para mobilizá-lo num projeto que, se poderia dizer, envolveu meses de planejamento estratégico.
O vento, os seguranças, as torções no cabo de aço, a instalação dos cavaletes. Tudo eram "pontos fracos" ou "ameaças" - usando a terminologia do marketing - a serem levados em conta e superados.
Philippe vive no tempo do "Artista da Fome", mas sua total entrega à arte o aproxima mais do trapezista de outro conto de Kafka: "A Primeira Dor".
Sendo francês, talvez ele tenha sido influenciado pelos ideais de maio de 1968 (ocorrido apenas seis anos antes de seu feito). Seu modus operandi lembra o "terorismo poético" de Hakim Bey, que sugere um slogan para ser pichado no metrô: "ENTRE EM GREVE PELA INDOLÊNCIA & BELEZA ESPIRITUAL".As interpretações são livres, mas gosto de pensar que Philippe fez o que fez para nos mostrar que uma vida menos ordinária é possível.
O World Trade Center foi criado para ampliar o acúmulo de riqueza na maior potência global? Não: foi feito para potencalizar o acúmulo de arte, a maior riqueza global.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Controle de qualidade e WikiCorrupção
O programa nos lembra que ser um bom parlamentar não é apenas não ser corrupto. Espírito público não é só pundonor com o dinheiro que não é seu. É também capacidade de formular boas políticas públicas sociais, vontade política, sensibilidade, inteligência, galhardia, criatividade, articulação...
Para mim, deputados, senadores e vereadores deveriam passar por um concurso público antes ou depois de se pré-candidatarem a qualquer cargo. Na hora da inscrição, teriam que apresentar certidão de Nada Consta; nas provas escritas, responder questões sobre ética e conhecimentos gerais. A prova oral poderia até ser dispensada pois empulhação já fazem bem.
Com ajuda de vocês, podemos criar um projeto colaborativo, uma wikiCorrupção, já que, sinceramente há escândalos demais para eu sintetizar sozinho.
Vou começar falando um pouco do plano nacional recente, mas o raciocínio que eu estou iniciando agora vale nas esferas estaduais e municipais. Isto é apenas, digamos, a "pedra fundamental", que eu espero desdobrar como links de um hipertexto ou organogramas mais adiante.
Vamos lá, para esquentar, ainda sem citar nomes:
117 é o número de ex-deputados que, mesmo sem mandatos, tiveram 896 passagens aéreas da Gol pagas pela Câmara
181 era o número de diretores do Senado no início o ano
281 deputados (de 513) utilizaram recursos públicos para pagar 1.881 trechos internacionais. Os cinco que mais viajaram para o exterior com recursos públicos têm mais de R$ 1 milhão em bens.
Agora começando a falar de dinheiro:
R$ 6,2 milhões - gasto do Senado com horas extras no recesso parlamentar
R$ 8,6 milhões - gasto dos senadores (pago com dinheiro público) com contas de telefones celulares no ano passado (ao menos R$ 6.126 mensais por congressista, numa conta conservadora)
R$ 17,9 milhões por ano é o que a Câmara gastava com a farra das passagens (valor medido pela economia em função das novas regras estabelecidas ontem)
Calma, vai ficar pior... nos próximos posts.
domingo, 19 de abril de 2009
Idade da Razão
Mathieu Delorme (conforme "colei" em outro blog, já que devolvi o livro para a minha amiga) não deixa de ter razão ao pensar assim, mas de que serve a liberdade senão para criarmos vínculos? A liberdade absoluta conduz à paralisia, ao imobilismo. Ficamos como o Enforcado do Tarô. Inerte e com pés e mãos atados...
Mais do que isso, a escolha por não criar vínculos impede o auto-conhecimento.
Nós não existimos como uma essência. Não há natueza humana, nossa natureza se constroi nas relações. São elas que nos moldam ou pelo menos revelam quem somos. O inferno são os outros, mas nosso olhar sobre nós mesmos não é menos distorcido do que o do companheiro, amigo, colega...
Nossas relações com os outros podem despertar o que temos de pior e levar a crimes passionais, revoluções... Mas também há relações do tipo "Gentileza gera Gentileza", que nos inspiram a ser mais fraternos e solidários. Este segundo tipo vai prevalecer quando invertermos a lógica liberal (ou síndrome de Caim) que nos diz que quando cada indivíduo busca o melhor para si a sociedade como um todo sai ganhando. O tempo já demonstrou que quando cada um busca o melhor para a sociedade como um todo, cada indivíduo sai ganhando.
Portanto, use bem sua liberdade.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Alcoolismo e tabagismo? Não pode. Consumismo? Pode!!
Se fosse hoje - quando as crianças cantam "não atire o pau no gato" - Trapalhões só passaria após 21h. Mas ok, reconheço. Tem certas coisas que é melhor controlar mesmo. Sou totalmente a favor da proibição da propaganda de cigarro com desenho animado, só considero estranho que ninguém ache politicamente incorreto os desenhos estimularem a pirralhada ao furor consumista. Não acredita? Pois clique e assista o vídeo. Nem sumbliminar esta propaganda é...
Por falar em propaganda, em verdade vos digo: toda propaganda é política, até - e principalmente - a anti-propaganda. Qualquer propaganda dos meus geniais colegas publicitários reforça um modelo de vida, uma estética, uma ética, uma erótica.
Neste aspecto, nós ocidentais esperneamos, COM RAZÃO, contra os totalitarismos dos outros. Citicamos desenhos palestinos que incitam o ódio a Israel; Dizemos que a Revolução Cultural chinesa foi uma perversão e por aí vai...

Tudo isso é vedade. A questão é que não olhamos para nossos próprios totalitarismos. Se olhássemos, veríamos que não é tão sutil quanto queremos crer a diferença do culto à personalidade na URSS e no atual "star system".
Stalin apagava das fotos os seus desafetos, o Photoshop apaga as adiposidades das gostosas, o despotismo estético apaga as pessoas feias. (Ganha um pirulito diet quem me apontar uma cantora americana feia ou gordinha da nova geração - eu para onde eu olho só vejo as perfeitas Beyoncés, Nellys Furtados, Britney Spears... OBS: Não vale falar Amy Winehouse, ela é EXÓTICA e inglesa).
Nos regimes comunistas, os dissidentes sofriam expurgos. No new-fashion fascism sofrem severa discriminação (bullying) e, quando não viram emo, entram nas escolas atirando em quem veem pela frente.
A juventude hitlerista era estimulada a delatar os pais e vizinhos. O mini-telespectador que assiste "Três Espiãs Demais" enquanto os pais trabalham é motivado a importunar os genitores para levá-lo ao shopping (OBS: o shopping leblon acaba de construir um "shopping em miniatura" junto à praça de alimentação para condicionar as crianças ao consumo).
***
"Free your mind and the rest will follow"!!! Eu não quero um mundo de criancinhas me perturbando para comprar iPods. Isso me lembra uma família que americana que eu vi na Alemanha, na qual cada criança - dois meninos de uns 7 e 4 anos e uma menina de uns 6 - tinha sua própria câmera digital (rosa no caso da mini-perua).
***
Se você pretende oxigenar sua cabeça e olhar um pouco fora da matrix, nada como o humor destes caras. Adicione no seu feed: Malvados, Allan Sieber, Wagner e Beethoven, Adão Iturrusgarai, Angeli...
domingo, 12 de abril de 2009
EGO-TRIP
- Quero conhecer o lado Índia da Belíndia. Do lado Bélgica eu já cansei.
- Criaturas da metrópole: humanos, ratos, baratas e pombos. Isso deve revelar alguma coisa sobre nossa condição.
- Mini-conto
Coelho: "Você é mau?"
Lobo: "Não. Sou apenas alguém que você não pode derrotar" - Só os jornalistas vão pro céu...
- Está fundado o Movimento Por um Mundo sem Neurose
sábado, 11 de abril de 2009
O caminho do samurai
Estas são algumas frases retiradas do filme "Ghost Dog", de Jim Jarmusch (EUA). Para quem não assitiu, recomendo veementemente. Posso até emprestar o DVD.O filme fala de um mercenário urbano que tenta viver nos dias atuais sob a ética de um samurai do Japão feudal. As reflexões do Hagakure citadas na película já fizeram bastante sentido para mim.
Hoje a rígida ética samurai já não exerce o mesmo fascínio. Percebi, como o filme mostra, que o espírito de uma era não pode ser resgatado e o que importa é "fazer o melhor possível de cada geração".
Seguem as aspas (com algumas adaptações minhas):
"É ruim quando uma coisa se torna duas. Não se deve procurar nada alhures no caminho do samurai. O mesmo se aplica a qualquer outro caminho. Quem entende as coisas desta forma, deve ser capaz de ouvir sobre todos caminhos e agir cada vez mais de acordo com o seu próprio"
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"Nas palavras dos ancestrais, uma decisão deve ser tomada dentro do intervalo de sete respiradas. É uma questão de ser determinado e ter o espírito para atravessar para o outro lado".
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"Diz-se que o Espírito de uma Era é algo que não se pode resgatar. Este espírito se dissipa paulatinamente em face do avanço do mundo rumo ao seu fim. Um ano não tem apenas primavera ou verão. Um único dia, idem. Por esta razão, embora alguém possa querer mudar o mundo de hoje para resgatar o espírito de mil ou mais anos antes, isto não pode ser feito. Por isso, é importante fazer o melhor de cada geração. "
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Por que Copy Luwak
Kopi Luwak ou Café Civet é um café produzido com grãos de café que foram comidos e passaram pelo sistema digestório do civeta (Paradoxurus hermaphroditus). O civeta - que é uma espécie semelhante ao gambá - come os grãos (...) Kopi Luwak, o café mais caro do mundo, vendido entre U$120 e U$600 USD o meio quilo, e é vendido principalmente no Japão e nos Estados Unidos. (Wikipedia)Antes de mais nada, me apresento: eu sou um repórter. O que o c* do civeta tem a ver com as calças é que esta condição me leva a "digerir" permanentemente referências as mais diversas. Ela me levou da favela Nova Holanda à Academia Brasileira de Letras, com escalas em criadouro de trutas na Serrinha do Alambari, educandário para menores infratores em Bangu e no hotel mais luxuoso do Rio. Aprendo meu ofício circulando entre nobres e plebeus, aprendendo seus dialetos, farejando seus sofismas.
Mas NÃO PERCA O FOCO, pois nosso alemão é mais complexo. Copy Luwak não pretende ser um blog noticioso. É antes a reunião de restos não-metabolizados de tudo que se passa em uma "mente atribulada, terrivelmente neurotizada pela civilização", como diria Raul Seixas aos 24 anos.
E por que "Copy"? Não penso em resposta mais apropriada do que copiar um trecho do filme Clube da Luta: "everything is a copy, of a copy, of a copy". Se no jornalismo moderno impera a Lei de Lavoisier, também na minha personalidade não consigo conceber nada original que não seja uma mera combinação aleatória de Oscar Wilde, Kafka, Freud, Monty Pithon, Mr. Catra, Karl Marx, Mussum, Radiohead...
Veja. Somente neste texto de cinco parágrafos, já fiz quatro citações textuais, além de remeter indiretamente às minhas influências de System of a Down e Joaquim Ferreira dos Santos.
Para piorar, antes do ponto final ainda terei plagiado mais um grande pensador da humanidade. Pois se eu faço minha cabeça subindo no ombro de gigantes e anões, presto a eles um tributo adotando o civeta como o meu mascote de agora em diante.



