terça-feira, 2 de agosto de 2011

Filofobia

Eu sou o moinho
a imprensa marrom
a varize
na parede do sonho
o editorialista
pré-rafaelista
inimigo da perspectiva
do dark side de Pind Floyd
da fase azul de Picasso.

Ofereço polidamente
a quem sofre porque sente
a noção clara
de certo e errado
o olhar sem linha de hesitação.

Ao viado
ópio publicitário:
compre aproveite não perca.
Chão de fábrica
para o desterrado.

Eu sou a liquidez de mercado
dos gênios de 27.
A misantropia
das bomba de fragmentação
dos protestos da mais alta
estima e consideração.

Sou filofobia
cortinas fechadas
vida partida.

Tratores que destroem mangues
levam meu nome
e no motor
carregam meu ódio,
que compacta a criação.

Eu sou a utopia de um mundo
que seja apenas trabalho
e genitalização

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2011