terça-feira, 28 de abril de 2009

Controle de qualidade e WikiCorrupção

O programa CQC tem um quadro chamado "Controle de Qualidade", em que o Danilo Gentilli testa os conhecimentos de nossos congressistas. Para estupefação geral, muitos não sabem o que é Farc, FMI ou Enem. Um parlamentar do PMDB errou ao ser questionado sobre o significado da sigla do seu próprio partido.

O programa nos lembra que ser um bom parlamentar não é apenas não ser corrupto. Espírito público não é só pundonor com o dinheiro que não é seu. É também capacidade de formular boas políticas públicas sociais, vontade política, sensibilidade, inteligência, galhardia, criatividade, articulação...

Para mim, deputados, senadores e vereadores deveriam passar por um concurso público antes ou depois de se pré-candidatarem a qualquer cargo. Na hora da inscrição, teriam que apresentar certidão de Nada Consta; nas provas escritas, responder questões sobre ética e conhecimentos gerais. A prova oral poderia até ser dispensada pois empulhação já fazem bem.

Mas isso ainda está muito longe. Infelizmente às vezes, a julgar pelo desempenho dos representantes que elegemos, parece que ainda estamos na pré-história desse país. Por isso resolvi deixar um pouco de lado as divagações etéreas e, diante do atual (?) panorama político brasileiro, iniciar um raciocínio mais matemático. Cartesiano, até.

Com ajuda de vocês, podemos criar um projeto colaborativo, uma wikiCorrupção, já que, sinceramente há escândalos demais para eu sintetizar sozinho.

Vou começar falando um pouco do plano nacional recente, mas o raciocínio que eu estou iniciando agora vale nas esferas estaduais e municipais. Isto é apenas, digamos, a "pedra fundamental", que eu espero desdobrar como links de um hipertexto ou organogramas mais adiante.

Vamos lá, para esquentar, ainda sem citar nomes:

117 é o número de ex-deputados que, mesmo sem mandatos, tiveram 896 passagens aéreas da Gol pagas pela Câmara
181 era o número de diretores do Senado no início o ano
281 deputados (de 513) utilizaram recursos públicos para pagar 1.881 trechos internacionais. Os cinco que mais viajaram para o exterior com recursos públicos têm mais de R$ 1 milhão em bens.

Agora começando a falar de dinheiro:

R$ 6,2 milhões - gasto do Senado com horas extras no recesso parlamentar
R$ 8,6 milhões - gasto dos senadores (pago com dinheiro público) com contas de telefones celulares no ano passado (ao menos R$ 6.126 mensais por congressista, numa conta conservadora)
R$ 17,9 milhões por ano é o que a Câmara gastava com a farra das passagens (valor medido pela economia em função das novas regras estabelecidas ontem)

Calma, vai ficar pior... nos próximos posts.

domingo, 19 de abril de 2009

Idade da Razão

O livro a Idade da Razão, do Sartre, tem um personagem interessante. Como já li tem algum tempo (uns cinco anos, provavelmente), não me lembro muito bem. Mas era um sujeito que apesar de ser de esquerda não se filiava ao partido comunista, apesar de amar uma mulher não buscava tê-la para si, apesar de ter uma amante grávida, não se casava. E porque agia assim? Para não abrir mão da liberdade. O tolo -pelo menos assim o interpreto- achava que ao se comprometer com uma causa, uma pessoa, um paradigma, estaria abrindo mão do "direito de ir e vir" livremente entre uma relação e outra, um pensamento e outro.

Mathieu Delorme (conforme "colei" em outro blog, já que devolvi o livro para a minha amiga) não deixa de ter razão ao pensar assim, mas de que serve a liberdade senão para criarmos vínculos? A liberdade absoluta conduz à paralisia, ao imobilismo. Ficamos como o Enforcado do Tarô. Inerte e com pés e mãos atados...
Mais do que isso, a escolha por não criar vínculos impede o auto-conhecimento
.

Nós não existimos como uma essência. Não há natueza humana, nossa natureza se constroi nas relações. São elas que nos moldam ou pelo menos revelam quem somos. O inferno são os outros, mas nosso olhar sobre nós mesmos não é menos distorcido do que o do companheiro, amigo, colega...

Nossas relações com os outros podem despertar o que temos de pior e levar a crimes passionais, revoluções... Mas também há relações do tipo "Gentileza gera Gentileza", que nos inspiram a ser mais fraternos e solidários. Este segundo tipo vai prevalecer quando invertermos a lógica liberal (ou síndrome de Caim) que nos diz que quando cada indivíduo busca o melhor para si a sociedade como um todo sai ganhando. O tempo já demonstrou que quando cada um busca o melhor para a sociedade como um todo, cada indivíduo sai ganhando.

Portanto, use bem sua liberdade.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alcoolismo e tabagismo? Não pode. Consumismo? Pode!!

A verdade é que o politicamente correto está acabando com a graça do mundo. Na minha época de criança se vendia chocolate com a foto de um infante, hoje um senhor de 59 anos, segurando um cigarrinho de hmm ..... CHOCOLATE BRANCO?? Na TV, em programa infantil, Mussum, o gênio, tomava todas e Didi fazia alusão a sexo anal enquanto uma atriz de filme erótico animava minhas manhãs (ops, acho que isso não mudou).

Se fosse hoje - quando as crianças cantam "não atire o pau no gato" - Trapalhões só passaria após 21h. Mas ok, reconheço. Tem certas coisas que é melhor controlar mesmo. Sou totalmente a favor da proibição da propaganda de cigarro com desenho animado, só considero estranho que ninguém ache politicamente incorreto os desenhos estimularem a pirralhada ao furor consumista. Não acredita? Pois clique e assista o vídeo. Nem sumbliminar esta propaganda é...

Por falar em propaganda, em verdade vos digo: toda propaganda é política, até - e principalmente - a anti-propaganda. Qualquer propaganda dos meus geniais colegas publicitários reforça um modelo de vida, uma estética, uma ética, uma erótica.

Neste aspecto, nós ocidentais esperneamos, COM RAZÃO, contra os totalitarismos dos outros. Citicamos desenhos palestinos que incitam o ódio a Israel; Dizemos que a Revolução Cultural chinesa foi uma perversão e por aí vai...



Tudo isso é vedade. A questão é que não olhamos para nossos próprios totalitarismos. Se olhássemos, veríamos que não é tão sutil quanto queremos crer a diferença do culto à personalidade na URSS e no atual "star system".

Stalin apagava das fotos os seus desafetos, o Photoshop apaga as adiposidades das gostosas, o despotismo estético apaga as pessoas feias. (Ganha um pirulito diet quem me apontar uma cantora americana feia ou gordinha da nova geração - eu para onde eu olho só vejo as perfeitas Beyoncés, Nellys Furtados, Britney Spears... OBS: Não vale falar Amy Winehouse, ela é EXÓTICA e inglesa).

Nos regimes comunistas, os dissidentes sofriam expurgos. No new-fashion fascism sofrem severa discriminação (bullying) e, quando não viram emo, entram nas escolas atirando em quem veem pela frente.

A juventude hitlerista era estimulada a delatar os pais e vizinhos. O mini-telespectador que assiste "Três Espiãs Demais" enquanto os pais trabalham é motivado a importunar os genitores para levá-lo ao shopping (OBS: o shopping leblon acaba de construir um "shopping em miniatura" junto à praça de alimentação para condicionar as crianças ao consumo).

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"Free your mind and the rest will follow"!!! Eu não quero um mundo de criancinhas me perturbando para comprar iPods. Isso me lembra uma família que americana que eu vi na Alemanha, na qual cada criança - dois meninos de uns 7 e 4 anos e uma menina de uns 6 - tinha sua própria câmera digital (rosa no caso da mini-perua).

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Se você pretende oxigenar sua cabeça e olhar um pouco fora da matrix, nada como o humor destes caras. Adicione no seu feed: Malvados, Allan Sieber, Wagner e Beethoven, Adão Iturrusgarai, Angeli...

domingo, 12 de abril de 2009

EGO-TRIP

Curtinhas extraídas do meu twitter:

  • Quero conhecer o lado Índia da Belíndia. Do lado Bélgica eu já cansei.
  • Criaturas da metrópole: humanos, ratos, baratas e pombos. Isso deve revelar alguma coisa sobre nossa condição.
  • Mini-conto
    Coelho: "Você é mau?"
    Lobo: "Não. Sou apenas alguém que você não pode derrotar"
  • Só os jornalistas vão pro céu...
  • Está fundado o Movimento Por um Mundo sem Neurose

sábado, 11 de abril de 2009

O caminho do samurai

Estas são algumas frases retiradas do filme "Ghost Dog", de Jim Jarmusch (EUA). Para quem não assitiu, recomendo veementemente. Posso até emprestar o DVD.

O filme fala de um mercenário urbano que tenta viver nos dias atuais sob a ética de um samurai do Japão feudal. As reflexões do Hagakure citadas na película já fizeram bastante sentido para mim.

Hoje a rígida ética samurai já não exerce o mesmo fascínio. Percebi, como o filme mostra, que o espírito de uma era não pode ser resgatado e o que importa é "fazer o melhor possível de cada geração".

Seguem as aspas (com algumas adaptações minhas):

"É ruim quando uma coisa se torna duas. Não se deve procurar nada alhures no caminho do samurai. O mesmo se aplica a qualquer outro caminho. Quem entende as coisas desta forma, deve ser capaz de ouvir sobre todos caminhos e agir cada vez mais de acordo com o seu próprio"
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"Nas palavras dos ancestrais, uma decisão deve ser tomada dentro do intervalo de sete respiradas. É uma questão de ser determinado e ter o espírito para atravessar para o outro lado".
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"Diz-se que o Espírito de uma Era é algo que não se pode resgatar. Este espírito se dissipa paulatinamente em face do avanço do mundo rumo ao seu fim. Um ano não tem apenas primavera ou verão. Um único dia, idem. Por esta razão, embora alguém possa querer mudar o mundo de hoje para resgatar o espírito de mil ou mais anos antes, isto não pode ser feito. Por isso, é importante fazer o melhor de cada geração. "
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"Não existe nada além do propósito único do momento. A vida inteira de um homem é a sucessão de um momento após o outro. Quando se entende completamente o momento presente, não há qualquer outra coisa para se fazer, e nada mais para aspirar"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Por que Copy Luwak

Kopi Luwak ou Café Civet é um café produzido com grãos de café que foram comidos e passaram pelo sistema digestório do civeta (Paradoxurus hermaphroditus). O civeta - que é uma espécie semelhante ao gambá - come os grãos (...) Kopi Luwak, o café mais caro do mundo, vendido entre U$120 e U$600 USD o meio quilo, e é vendido principalmente no Japão e nos Estados Unidos. (Wikipedia)

Antes de mais nada, me apresento: eu sou um repórter. O que o c* do civeta tem a ver com as calças é que esta condição me leva a "digerir" permanentemente referências as mais diversas. Ela me levou da favela Nova Holanda à Academia Brasileira de Letras, com escalas em criadouro de trutas na Serrinha do Alambari, educandário para menores infratores em Bangu e no hotel mais luxuoso do Rio. Aprendo meu ofício circulando entre nobres e plebeus, aprendendo seus dialetos, farejando seus sofismas.

Mas NÃO PERCA O FOCO, pois nosso alemão é mais complexo. Copy Luwak não pretende ser um blog noticioso. É antes a reunião de restos não-metabolizados de tudo que se passa em uma "mente atribulada, terrivelmente neurotizada pela civilização", como diria Raul Seixas aos 24 anos.

E por que "Copy"? Não penso em resposta mais apropriada do que copiar um trecho do filme Clube da Luta: "everything is a copy, of a copy, of a copy". Se no jornalismo moderno impera a Lei de Lavoisier, também na minha personalidade não consigo conceber nada original que não seja uma mera combinação aleatória de Oscar Wilde, Kafka, Freud, Monty Pithon, Mr. Catra, Karl Marx, Mussum, Radiohead...

Veja. Somente neste texto de cinco parágrafos, já fiz quatro citações textuais, além de remeter indiretamente às minhas influências de System of a Down e Joaquim Ferreira dos Santos.

Para piorar, antes do ponto final ainda terei plagiado mais um grande pensador da humanidade. Pois se eu faço minha cabeça subindo no ombro de gigantes e anões, presto a eles um tributo adotando o civeta como o meu mascote de agora em diante.