O programa nos lembra que ser um bom parlamentar não é apenas não ser corrupto. Espírito público não é só pundonor com o dinheiro que não é seu. É também capacidade de formular boas políticas públicas sociais, vontade política, sensibilidade, inteligência, galhardia, criatividade, articulação...
Para mim, deputados, senadores e vereadores deveriam passar por um concurso público antes ou depois de se pré-candidatarem a qualquer cargo. Na hora da inscrição, teriam que apresentar certidão de Nada Consta; nas provas escritas, responder questões sobre ética e conhecimentos gerais. A prova oral poderia até ser dispensada pois empulhação já fazem bem.
Com ajuda de vocês, podemos criar um projeto colaborativo, uma wikiCorrupção, já que, sinceramente há escândalos demais para eu sintetizar sozinho.
Vou começar falando um pouco do plano nacional recente, mas o raciocínio que eu estou iniciando agora vale nas esferas estaduais e municipais. Isto é apenas, digamos, a "pedra fundamental", que eu espero desdobrar como links de um hipertexto ou organogramas mais adiante.
Vamos lá, para esquentar, ainda sem citar nomes:
117 é o número de ex-deputados que, mesmo sem mandatos, tiveram 896 passagens aéreas da Gol pagas pela Câmara
181 era o número de diretores do Senado no início o ano
281 deputados (de 513) utilizaram recursos públicos para pagar 1.881 trechos internacionais. Os cinco que mais viajaram para o exterior com recursos públicos têm mais de R$ 1 milhão em bens.
Agora começando a falar de dinheiro:
R$ 6,2 milhões - gasto do Senado com horas extras no recesso parlamentar
R$ 8,6 milhões - gasto dos senadores (pago com dinheiro público) com contas de telefones celulares no ano passado (ao menos R$ 6.126 mensais por congressista, numa conta conservadora)
R$ 17,9 milhões por ano é o que a Câmara gastava com a farra das passagens (valor medido pela economia em função das novas regras estabelecidas ontem)
Calma, vai ficar pior... nos próximos posts.



