sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cio da Cidade

Quando o mar beijar o asfalto
com tato diluviano
uma Venus no concreto 
vai dar o seu recado
com a língua
queimando
de magma
Drama violeta no darma,
dardejando arpão azul
na textura
duma transa
de estrutura
elástica
Carros na Rua Fundição
roçam prédios que dão sarna
o cheiro o sabor e o tesão
lambendo
a massa
asfáltica
No brilho gestante da manhã
o sol-deus vesuviano
abre o seu robe de banho
e fossiliza
abraços
humanos



terça-feira, 25 de agosto de 2015

O artista tem sua intuição
diante do abismo
O artista tem uma opção
voar / cair




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Mutações
na maturação lenta
de uma canção
Perestroika de mim
peito aberto
enfim.
Sempre fui feliz
mas fui só.
Hoje sou jovem
mesmo sóbrio.
Qualquer hora dessas
ganho asas

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Anfíbio

Café velho
na tábua de carne - pesadelo
no escorredor.
O biscoito afunda no leite
e o meu corpo vassalo se evade
na tensão de superfícies.
Deslizo nas curvas da cidade
existindo mais ou menos
ao som de Smiths.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Recife me ensina muito
sobre a luta pela existência.
Sendo forâneo,
há dias que existo,
outros nem tanto.