sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A gaia ciência

Ler "A gaia ciência" foi como fazer uma viagem sozinho, ou como trocar uma ideia com um amigo querido. Muitas páginas foram lidas no café AeroGourmet. Outras nos jardins internos da Santa Casa de Misericórdia. Terminei o livro hoje à tarde. Já sinto saudades.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Para além do bem e do mal

É preciso abandonar qualquer discurso que trate a moral de forma abstrata. Falar de Bom e Mau "em tese" é cair num platonismo pueril de partir o coração, imperdoável se você passou dos 30 ou está perto disso. O que vale mesmo nesse mundo é a experiência concreta, e nesta, muitas vezes, as boas intenções saem pela culatra. Você sabe disso. Ou deveria saber. Ou você acredita mesmo que um bom cidadão é aquele em que o autodomínio cala as necessidades vitais? Que um bom amigo é alguém que não aponta as suas falhas? Que a boa educação é a que disciplina o sujeito para o convívio social? Se pensa assim, em tese você está certo. Mas como ser humano está muito diminuído. Lembre-se que os maiores crimes da humanidade foram cometidos com as melhores intenções. Algozes de gênios, crucificadores, torturadores de todas as nações provavelmente foram recebidos em casa à noite por esposas zelosas e filhos que lhes tiravam os sapatos. Provavelmente dormiram o sono dos justos com a sensação de ter mitigado, no fio da navalha, algum tipo de petulância contra o status moral vigente. Para alguns destes verdugos, outros homens morais ergueram que só foram derrubadas quando uma nova moral, igualmente metafísica e funesta, varreu a antiga. Ora. A única moral tolerável é a que emana das próprias relações sociais; do respeito ao outro como OUTRO. Mas infelizmente a regra é exigir que o outro seja oco para que faça ECO.