domingo, 19 de abril de 2009

Idade da Razão

O livro a Idade da Razão, do Sartre, tem um personagem interessante. Como já li tem algum tempo (uns cinco anos, provavelmente), não me lembro muito bem. Mas era um sujeito que apesar de ser de esquerda não se filiava ao partido comunista, apesar de amar uma mulher não buscava tê-la para si, apesar de ter uma amante grávida, não se casava. E porque agia assim? Para não abrir mão da liberdade. O tolo -pelo menos assim o interpreto- achava que ao se comprometer com uma causa, uma pessoa, um paradigma, estaria abrindo mão do "direito de ir e vir" livremente entre uma relação e outra, um pensamento e outro.

Mathieu Delorme (conforme "colei" em outro blog, já que devolvi o livro para a minha amiga) não deixa de ter razão ao pensar assim, mas de que serve a liberdade senão para criarmos vínculos? A liberdade absoluta conduz à paralisia, ao imobilismo. Ficamos como o Enforcado do Tarô. Inerte e com pés e mãos atados...
Mais do que isso, a escolha por não criar vínculos impede o auto-conhecimento
.

Nós não existimos como uma essência. Não há natueza humana, nossa natureza se constroi nas relações. São elas que nos moldam ou pelo menos revelam quem somos. O inferno são os outros, mas nosso olhar sobre nós mesmos não é menos distorcido do que o do companheiro, amigo, colega...

Nossas relações com os outros podem despertar o que temos de pior e levar a crimes passionais, revoluções... Mas também há relações do tipo "Gentileza gera Gentileza", que nos inspiram a ser mais fraternos e solidários. Este segundo tipo vai prevalecer quando invertermos a lógica liberal (ou síndrome de Caim) que nos diz que quando cada indivíduo busca o melhor para si a sociedade como um todo sai ganhando. O tempo já demonstrou que quando cada um busca o melhor para a sociedade como um todo, cada indivíduo sai ganhando.

Portanto, use bem sua liberdade.

8 comentários:

Alain disse...

Endossado!

Big Tony disse...

Bebeste foi?
Engraçado que o "Idade da Razão" sempre aparece em certos momentos parecidos da sua vida...
Jundas!

DA URUSSANGA disse...

vamos tdos virar o gentileza =)

Carol Granja disse...

eu tb li esse livro, e tb n concordava em nd com o mathieu! chegava quase a detestar ele, mas aí desisti, pq ele nem existe né, mó gastação de sentimento

O Pilha disse...

Acho que a Carol me odiaria se me conhecesse bem

Anônimo disse...

Mas afinal, quem é O Pilha??

Luiz Zahar disse...

Será que a liberdade existe? Será que os nossos atos são fruto de verdadeira reflexão, e portanto "conscientes" e deliberados? Ou terão os nossos atos uma origem em automatismos pré-cognitivos de mera sobrevivência?

Leo Zahar disse...

Atualiza aê!