A gente se trai o tempo todo
dizendo um monte de não
mirando o lá fascinante
com um pórtico
que um dia penetrará
pedalando bicicleta
de rodinhas.
Atingido esse ponto,
a gente será feliz
pois verá tudo do alto
da cadeia alimentar.
O quanto de nós tiver ficado
pelo caminho
que importância terá?
Nos confortará
pensar que elos
foram feitos
mesmo
para ser perdidos.
Mas se antes
passarem-se anos
de agora aquém,
convém lembrar
dos comprimidos
e outros meios
mais ou menos
violentos
de prender sonhos
em inexpugnáveis
Bastilhas.
Sim.
Chegar lá
valerá o sacrifício,
o tônus perdido.
Valerá
a sodomia
que dá sustento
às putas cafetinadas
que somos agora,
sempre a emular orgasmos
sem messias
que nos devolva
a porção de céu
do olhar,
ou liberte o amor encruado
na carne neurótica.
Sem contar que
quando chegarmos lá
teremos nosso arco do triunfo
e nossa marcha da vitória.
[Vitória que nos permitirá fraudar a estória com insuspeitas folhas de parreira].
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