quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SOBRE A POESIA - parte 1 (A Primeira Dor)

A maior descoberta de quando se tem 20 pra 30 anos é que a dor... dói. 

Até então a feridas cicatrizavam rápido, o elixir da juventude é uma beleza. Depois, aí sim, se descobre a primeira dor, a primeira cicatriz. Aquela de que falou Kafka no conto do trapezista. Que Vinicius cantou ao falar de "quem ja passou por essa vida e não sofreu". Aquela dor canalha, porrada no queixo. 


Aí a gente balança e balança, o joelho dobra e o corpo cai. Só não se arrebenta no chão porque nos seguram os amigos, a família, a fé que seja. Aos poucos, a ferida ainda aberta, vamos descobrindo que o preço de não jogar a toalha é fazer da vida uma luta pela existência. Luta esta que se enfrenta para ganhar nos pontos, com estratégia (mesmo que passe por perder um ou outro round). 


O importante, no fim das contas, é a beleza desta luta. É ver-se como o cego fotógrafo, o paralítico pintor, como Nietzsche louco abraçando um cavalo. E perceber que no fundo estão todos dançando, abstraindo a mecânica rudimentar do mundo. Como Mohammed Ali no ringue.


Para começar, convém escolher os ídolos que serão os nossos fiadores nesta luta. Os fiadores, na realidade, dos nossos sonhos. E lembrar sempre que cada um de nós traz em si algo inalienável: a poesia.





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