quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Ainda somos parte da mesma História. Europeus e muçulmanos seguem se dominando e guerreando há séculos. Meu bisavô migrou do Líbano, que pertenceu à Síria, que foi comandada pela França. Sim. Em 1860, a França estava fazendo uma expedição na Síria. Exatamente como agora. E, no meio disso tudo, os civis seguem se refugiando... Esse meu bisavô, que pelo que me consta era maronita (cristão), se casou com uma francesa, que veio a ser minha bisavó. Mas isso é só uma parte da minha história, e dos cerca de 130 brasileiros que levam esse meu sobrenome no país. Minhas avós e minha mãe, por outro lado, quando solteiras, tinham sobrenomes de cristãos novos, o que significa que descendem de judeus convertidos à força ao catolicismo durante a Inquisição. E meus olhos, já disseram, têm um formato que seria dos índios, mas esse parentesco a memória conservada de minha(s) família(s) ou ocultou ou perdeu. Certamente tenho familiares negros, como todos brasileiros, também. O fato é que, sem a vontade de sobreviver desses refugiados, desses convertidos, eu não estaria aqui. Uma decisão errada numa situação limite poderia ter mudado todo o curso dessa história. Estudar a própria família é uma coisa muito forte. É reconhecer que o DNA de nosso país tem um lado escravista-inquisidor-rapa ce e outro de minorias que lutaram, com mais ou menos violência ou jogo de cintura para não serem esmagadas. Ainda somos parte da mesma história. Há duas gerações atrás, tua família provavelmente vivia no meio rural (por que saiu?). Há três, possivelmente uma parte do que você é ainda não tinha aportado por estes trópicos (por que vieram?). Isso não faz tanto tempo. Nossas veias seguem abertas, e nelas correm esses genes todinhos. Olhe na rua: evangélicos e católicos disputam rebanhos de fiéis - e isso também não é de hoje (foto), talvez a diferença é que agora os protestantes estão ganhando. E, por toda parte as cinzas ainda mornas do fascismo tentam ressurgir, se tornar brasas, provocar incêndios... enquanto a imprensa segue firme disseminando o duplipensar. E a gente vai se iludindo, pensando que a história acabou e se achando o máximo por renegar as religiões e acreditar em dinheiro, a forma contemporânea de Deus. Mas eu confio no poder da cultura, e sua infinita possibilidade de encontros, para transformar o ser humano e mudar o rumo desse mundo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
muito legal, Zahar! tô na dívida! Já venho!
Postar um comentário