Um martelo baqueava sem dó.
Uma empregada matraqueava em desatino.
E eu permanecia estático,
Absorto em silenciosa paz.
Diante de mim, os teus olhos cerrados.
Em minha língua, teu hálito de cigarro.
E era como se o meu próprio gosto
subitamente habitasse o meu palato.
A quinta-feira amanhecia repleta de cores e texturas.
Houvesse sinos, dobrariam
ao nos ver sem armaduras.
Você dormia
Eu refletia
ante a resistência de um sentimento
cultivado à meia-sombra
Após tantas guerras, humores
hiatos,
você em meus braços.
Nós dois,
cobertos pelo suspense
e pela delicadeza
de um penúltimo ato.
(André Zahar - maio/2006)
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