terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mercado negro

Comemorei meu aniversário em uma praça da Zona Sul. Nesta sublime ocasião, presenciei um fato que jamais imaginei viver neste pouco mais de um quarto de século de vida. Um crime contra a moral, os bons costumes e os valores mais caros à família brasileira. Um fato capaz de ofuscar o brilho da minha celebração. Uma ilegalidade que clama pela imediata intervenção do Bope! Da Interpol!! Da Otan!!!! Eu vi pessoas traficando........... cerveja.

Como diriam os PMs, os meliantes circulavam pelo local em atitude suspeita. Aproximavam-se dos populares e ofereciam o entorpecente - cerveja Itaipava - acondicionada em sacolés, digo, sacos plásticos. Para evitar o flagrante dos guardas municipais (uns três ou quatro faziam ronda), os traficantes esconderam seus isopores e gelo há alguns quarteirões da praça. N0 fim, evadiram sorrateiramente com o produto da atividade criminosa.

É lamentável, mas é verdade. Em 10 de dezembro de 2010 eu comprei cerveja no mercado negro. Preparem o termo circunstanciado e as algemas.



Após militarizar a Lapa, hoje um inofensivo polo cultural onde se ouve pagode e se bebe Smirnoff Ice entre viaturas da polícia e agentes da CET-RIO; após colocar guardas para perseguir vendedores de coco e jogadores de "altinho" na praia... a Prefeitura conseguiu derrotar mais um inimigo público. Tente adivinhar qual:
Flanelinhas? Não. Estes se multiplicaram com a privatização das vagas da Zona Sul.
O mau atendimento nos hospitais? Também não.
O baixo salário dos professores? Este ainda está numa média de R$ 597.
A tia que vendia cerveja na praça em escala artesanal? Sim!

Nada contra o ordenamento urbano, mas o bom senso é fundamental. Pois senão... Qual será o próximo passo? Prender baleiros? Pipoqueiros? Teremos um dia que recorrer ao mercado negro de fotógrafos lambe-lambe?
Basta!!

3 comentários:

Eugênia disse...

Eu não me sentia ilegal assim desde a época em que proibiram mate na praia!

Anônimo disse...

meu voto vai pros pipoqueiros. Odeio eles.

Anônimo disse...

Eu gosto dos pipoqueiros e, na praça, eles trabalhavam livremente.