Amo-te mais no que me pré-existe.
Longe não conspurcado por meu toque,
duna tua que não quero que desloque
a brisa leve ou que a tormenta agite.
Prezo-te a estranheza que me resiste
qual um borrão de impossível enfoque,
não obstante desde a penumbra evoque
atração e a própria extinção incite,
uma vez que dela sempre há menos
pois se alguém lhe toca, tira um grão.
Assim sendo, os meus gestos serenos
revelam a triste contradição:
acima de tudo o que nós erguemos
amo-te o vazio da tua solidão.

Um comentário:
Belíssima poesia. Lindo momento de inspiração. PARABÉNS!
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