sábado, 5 de setembro de 2009
Auto-indulgência
Já era para você ter se convencido muito antes de que não haveria uma segunda dança com ela. Só que nunca lhe pareceu haver qualquer diferença entre resignar ou indignar-se já que a perspectiva era uma só: cem anos de solidão. E na dúvida, você lutou. Anos a fio, você apresentou embargos em bares, despachou com os amigos, comprou litígio até contra si mesmo. Por fim, esgotados os recursos, buscou penas alternativas, apegou-se sofregamente a uma busca por alguém que dançasse como ela, e neste caminho você mais (se) perdeu do que encontrou. A ausência dela, tão presente, insistiu em assombrar-lhe menos como saudade do que como angústia, remorso e doloridas reflexões. E assim correu esta tua penitência auto-imposta até você cumprir o objetivo da tua pena - perceber que não importa que você não dance novamente os passos que alguém te ensina, desde que na dança da tua vida quem conduza seja você.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Perfeito! Fantástico mais uma vez, Zahar. Abrações!
Postar um comentário